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7 Dicas Para Novos Artistas (que eu aprendi conforme fui desenhando)

Não sou artista profissional nem famosa na internet – muito pelo contrário, nunca nem fiz uma aula de desenho na vida. Mas sei que muita gente começa assim: com um lápis na mão e a vontade de desenhar.

Quando resolvemos falar de arte, ironicamente eu não tinha IDEIA do que fazer. Juntei trinta mil possibilidades e desisti de todas. Mas aí lembrei que uma amiga minha que desenha absurdamente bem – e hoje em dia é diretora/storyboarder/dona do mundo! Vou deixar o link dela aqui pra vocês checarem o trabalho maravilhoso dessa mulher: Isa Littger ArtStation – foi e ainda é a pessoa que mais me incentivou, mesmo eu não desenhando tão bem quanto ela.

Um monte de gente vai encher a boca para falar que alguém que nunca estudou isso na vida não é um ~artista de verdade~ mas, sinceramente, acho que isso é muito relativo. Lidar com arte é estar sempre aprendendo, se desenvolvendo e tendo a capacidade de olhar seu trabalho de um ano atrás e “meu santo Cristo redentor do morro que coisa horrível foi essa que fiz, ONDE achei que isso aqui tava bom?!” sabendo que daqui um ano, seu xodó desse ano vai ter o mesmo efeito que o do ano passado.

Como para mim foi muito importante ter alguém me apoiando, achei que seria legal dar algumas dicas pra artistas que tão começando ainda – não importa a sua idade: começar a ser artista pode acontecer a qualquer momento.

E eu posso ajudar principalmente aqueles que nem eu que simplesmente pegaram um lápis, uma borracha, um apontador e começaram a rabiscar os cadernos da escola.

Então vem comigo que vou dar algumas dicas! E fique à vontade para deixar as suas também. Os comentários estão abertos para trocas de experiências e crescimento!

1. Ande Com Um Sketchbook Para Cima e Para Baixo

Minha vida mudou 360° carpado quando minha amiga me deu o sketchbook da faculdade dela que ela não iria usar – porque ela já conhecia sobre isso e não tinha a menor utilidade para ela.

Então lá estava eu na faculdade de Direito, andando para cima e para baixo com uma agenda/sketchbook da Ringling, sentada na Praça do Sol do meu campus, tentando botar as ideias no papel.

E fez uma ENORME diferença. Comecei a desenhar de maneira mais constante – ao invés de uma vez a cada 3 dias, por exemplo, desenhava 4, 5, 6, infinitas vezes no mesmo dia.

Além de que é a melhor coisa pra levar no metrô voltando do trabalho.

Da esquerda para a direita: meu primeiro sketch que minha amiga me deu (Planner com capa toda desenhada), meu sketch bonito que ficou comigo durante muito tempo (capa de beija flores, encontrei na Liberdade em uma lojinha remota), meu sketch lixo que fiz na mão (capa cinza, sim isso é um sketchbook) e meu sketch lixo 2 que minha irmã ganhou numa palestra de empresa e nunca ia usar (capa preta, escrito EYU)

Ter um sketchbook me ajudou a desenvolver meu estilo ao longo dos anos e a me fazer achar o que estou confortável ou não. Hoje em dia, um sketchbook, uma caneta, um lápis, borracha e apontador são necessários na minha bolsa quando saio.

E também me fiz o favor de fazer um sketchbook lixo na mão mesmo pra poder rabiscar sem a cobrança de ficar tudo bonito. Porque isso vem no próximo tópico…

2. Você Não Precisa Criar Obras de Arte Toda Hora

Por mais que ache que sim e que seu perfeccionismo interno fique apitando que nem alarme de incêndio quebrado em fábrica, você não precisa fazer trabalhos perfeitos toda hora que botar o lápis no papel.

E quem tá falando isso é a rainha da neura do “mas esse olho tá milimetricamente mais baixo que o outro e isso é inaceitável”.

Mas sério. Para treinar, você vai fazer quinhentos mil rabiscos. Vai encher página atrás de página de coisa mal feita e inacabada. Às vezes vai fazer um rascunho que, quando chegar na metade, não vai terminar nunca. Ou vai ficar melhor do que quando resolver transformar numa full ilustração, porque essa é a vida.

Se você não tiver dinheiro para comprar um sketchbook – porque sim, eles são caros por motivos que só Apollo patrono das artes entende – vou deixar um vídeo que me ajudou a fazer meu sketchbook lixo. A única coisa que você precisa comprar é um bloco de folhas, pegar umas linhas grossas de costura da sua casa e gastar um pouco de tempo com isso.

O meu ficou numa qualidade mil vezes horrível, mas, sinceramente, não dá medo de estragar com uns desenhos mal feitos e tudo rabiscado, então minha mente fica em paz quando vou usar o dito cujo – não foi um negócio caro que estou gastando à toa, por exemplo.

E daí você não sente culpa de sair uns troços assim

3. Largue Tutoriais de “Como Achar Seu Estilo”

Minha eterna briga comigo mesma que queria desenhar assim…

Porque no final, você vai encontrar seu estilo e nem sempre vai gostar dele.

Mas meu estilo acaba saindo assim T-T

Pessoalmente, não curto muito meu estilo. Quando termino um desenho, falo “olha lá, até que ficou razoável”, mas 5min depois tô encarando e pensando em tudo que não queria ter feito e como não curto muito meu estilo pessoal.

Então você vai ficar lendo 10 mil tutoriais de “como encontrar seu estilo” e afins, mas a real é que você provavelmente já deve ter um estilo ou já está encaminhado no seu próprio estilo, mas quer mudar porque não é o estilo que você mais gosta. O que me leva para outro ponto…

4. Sai do Instagram. Agora. Larga Esse Celular e Vai Desenhar em Paz

Por que tanta brutalidade, Artemis?, você deve estar se perguntando.

Muito de odiarmos nossos estilos é porque ficamos sempre nos comparando com outros artistas. Mas você nunca sabe a história pessoal daquele artista: às vezes você, pequeno gafanhoto, está aprendendo tudo sozinho com tutoriais do youtube, enquanto o artista que você fica comparando ao seu próprio trabalho cresceu em Paris, usando estátuas do Louvre como treino de observação e já fez duas faculdades de arte para desenvolver aquele traço.

Percebe que não dá pra você se comparar com essa pessoa?

E não porque ela é melhor que você. De jeito nenhum. É que o seu caminho para desenvolver sua arte é completamente oposto ao daquela pessoa. É querer comparar Picasso com Monet: os dois são artistas incríveis, mas com estilos diferentes e desenvolvimentos diferentes. Não dá pra falar que um é melhor que o outro.

Então pensa nisso quando você começar a odiar o seu estilo e ficar tentando replicar aquele que você vê que faz tanto sucesso e acha tão bonito.

5. Não Desenhe Para a Mídia Social – Você Não Tem Que Cumprir Uma Agenda De Posts

Isso mata a arte. De verdade.

Eu fiquei um tempo tentando crescer meu instagram de arte e uma das coisas que eu via era: você precisa postar com frequência, quase todo dia.

Esse é um dos que mais gostei de fazer! Se tivesse pensado no que daria certo e o que o algorítimo ia gostar, não ia ter tentado metade das coisas que fiz aí. E virou um dos meus estilos principais!

Mas sério. Quem consegue efetivamente criar arte todo dia como uma máquina pra deixar o algorítimo feliz?

Além de que outra dica que você irá ouvir a torto é direito é “deixar o seu feed esteticamente parecido e bonito’. Só que explorar arte e criar arte nem sempre vai ser a mesmice todo dia, com o mesmo estilo, mesma paletas de cores, sempre esteticamente correto.

Arte é complicada. Arte é bagunçada. E está lá para ser experimentada, não milimetricamente pensada.

E daí vou lá e desenho umas coisas assim quando tô com vontade – meu outro estilo que gosto muito também e acaba com meu feed

Se você quer fazer um negócio, são outros quinhentos. Um negócio é diferente de arte. Porque sim, aí é legal você ter o feed esteticamente agradável, uma paleta de cores que identificam a sua marca, uma compilação dos seus melhores trabalhos, tudo pensado para ficar bonito como se estivesse exposto em uma galeria de arte. Você criou uma marca e um estilo que imediatamente saberão que é você.

Mas isso não vai te fazer crescer e se desenvolver como artista. Então, use o instagram como portfolio e como se você fosse um crítico de arte fazendo curadoria do seu trabalho. E depois faça uma conta à parte para postar o que raios você quiser.

A minha atualmente é uma bagunça e eu posto quando me dá na telha, mas tô muito mais satisfeita assim, para ser bem sincera.

6. Não Sabe Por Onde Começar? Copie Seus Artistas Favoritos

MAS CALMA! NÃO TÔ FALANDO PRA ROUBAR O TRABALHO ALHEIO!

Copiar para estudo é diferente de copiar e postar como seu: SEMPRE LEMBRE DE CREDITAR O ARTISTA ORIGINAL!

Copiando desenhos de mangá em 2009 nos cadernos da escola enquanto devia estar prestando atenção na aula? A gente vê por aqui

Hoje em dia, como a maioria dos artistas pode ser encontrada em sites que facilmente dá pra mandar DMs, dá até pra entrar em contato com eles e mandar um “oi, então, tava querendo treinar meu traço e afins, tudo bem se eu fizer um estudo baseado nesse seu trabalho? Queria postar por aqui também, colocando o crédito na sua imagem, falando que você é o artista original, só para treinar mesmo”.

A maioria fica feliz com o contato: alguns podem negar, outros aceitar, mas TODOS ficam contentes que você foi pedir permissão deles.

Eu comecei estudando fotos de modelos em revistas de moda, do jeito que minha mãe me ensinou. Colocava um papel manteiga sobre o rosto, desenhava por cima para entender as proporções e depois tentava desenhar o rosto em um papel normal, tendo uma ideia melhor do desenho do rosto com o que já tinha estudado no papel manteiga.

Com o tempo, comecei a gostar muito de mangá. Aí, pegava os desenhos dos meus mangakás favoritos (Matsuri Hino, minha DEUSA japonesa da arte, que mulher incrível, metade das coisas que sei aprendi copiando os trabalhos dela) e ficava tentando copiar nas minhas horas vagas.

Esse foi um desenho em A3 que fiz com 14/15 anos, lá em 2009. Deu um SUPER trabalho na época, hoje eu olho e acho horrível, mas o tanto de coisa que aprendi copiando os desenhos da Matsuri Hino é INCRÍVEL

Ao longo do tempo, você vai largando o estilo alheio e começando a criar o seu.

Mas, copiando, você consegue começar a entender proporção, perspectiva, poses, comportamento de tecidos, comportamento dos cabelos e assim por diante!

Até fazer seus próprios desenhos/personagens sem nenhuma muleta de copiar outra coisa ou pensar muito em como compor aquele desenho!

Alegremente desenhando assim hoje em dia e ainda não 100% satisfeita – posso te apontar 200 coisas que não gosto nesse desenho xD

7. Não Sofra Muito Com Materiais e Teste Vários!

Aí que vem a parte legal da coisa!

Se você desenha com lápis, por exemplo, já ouviu uma galera falando de “gramatura de papel”, “tipo de grafite”, “mina do lápis” e mais um monte de outras coisas que te faz ficar tipo o meme do John Travolta em Pulp Fiction.

Exatamente assim

Minha sorte é que minha mãe é Arquiteta/artista e me ensinou uma pá de coisa.

Gramatura de papel é o quanto o papel é grosso, fino, se tem textura, se não tem e etc. Para você que está começando? Papel sulfite tá ótimo – eu comprava blocos de papel sulfite para deixar em casa e desenhar.

Eu costumava MUITO fazer desenhos assim. Então um lápis que não sai o grafite e com a mina dura para mim é um S O F R I M E N T O

Tipo de grafite e mina de lápis, na minha opinião, já são mais importantes. Eu geralmente uso 2B (que o grafite parece ser mais escuro e mais molinho, então sai no papel super fácil e você não precisa ficar rabiscando que nem um condenado pra fazer uma linha minimamente escura), mas isso realmente é preferência pessoal. Começa no 2B e vai testando outros para ver o que gosta mais.

Mina de lápis é a pontinha, sabe? O grafite/parte colorida que usamos para pintar. E é importante: sabe quando você usa um lápis e mais parece uma lixa do que um lápis? Então, isso é uma mina dura. Aqueles que são molinhos e que um risquinho já deixa uma boa cor no papel, são os de mina mole. São os que eu mais gosto, mas: a maioria, principalmente lápis de cor, são importados. Então não sofra com isso de cara.

E antes que você me julgue: eu juntava dinheiro que sobrava do almoço na escola para comprar UM lápis de cor importado. Com o tempo, juntei alguns na minha caixinha velha de Ferrero Rocher.

(e são meus tesouros, porque cada um custou um rim e um almoço pela metade)

De programas digitais, você PODE fazer no mouse – minha primeira pintura digital foi no mouse, no programa Paint Tool SAI. Sua vida vai ser mais difícil? VAI E MUITO. Mas não é impossível.

Fiz o desenho no papel, escaneei e pintei no mouse: tá horrível? Tá sim. Mas considerando que foi no mouse e eu não tinha conhecimento ALGUM em desenho digital na época, até que ficou legal. Então é possível ir no mouse pra treinar sim, não se desanima

Se você tiver uma tablet de desenho, tipo das Wacom da vida (a minha me foi dada de presente e minha amiga trouxe dos EUA porque aqui é MUITO MAIS CARO), não precisa ter um programa caro e top de linha para poder desenhar. Atualmente, eu uso o Krita e o Fire Alpaca que são dois programas de graça e SUPER práticos de usar!

Um Speedpaint de um desenho que fiz há um tempinho atrás, mas que dá pra ver bem a interface do Krita! Uso a minha Wacom de 200 anos atrás e funciona bem, viu

Além disso, me aventurei no mundo das aquarelas, porque sim. Sou um desastre usando tintas, mas também sou apaixonada por aquarelas e quero fazer dar certo. Então comprei o estojo mais barato que tinha de cores de aquarela – e vai por mim, não são tão baratos assim, então sempre que você for começar, sugiro materiais SUPER baratos – e comecei a usar um sketchbook de aquarela pra rabiscar e treinar.

Esse sketchbook comprei numa loja que chama Sennelier em Paris – que é LINDA, qualquer pessoa que ama arte e for para lá POR FAVOR vá na Sennelier – mas você pode comprar folhas de aquarela e montar seu próprio sketchbook que nem eu mostrei antes. Ainda sou um desastre com tintas, mas a arte tá aí pra gente testar, fazer coisas HORRÍVEIS e no fim do dia abraçar e chamar de nosso filhote.

Um dia ainda chego no ponto que quero, por enquanto estamos assim

E outra coisa que descobri com essa minha amiga quando estava em Paris – porque ela mora lá e fui fazer uma visita! – é a mágica dos desenhos com caneta. Se me arrependi? 100%. Se você errar a caneta, é uma desgraceira atrás da outra. Mas é isso que faz o desenho à caneta tão legal.

100% desesperador de desenhar com essa caneta, mas uma das maiores descobertas da vida! E olha que esse nem foi no sketchbook lixo, foi na fé e na coragem mesmo

Então não sofra mesmo com materiais. Ao longo do tempo, você vai achar o que gosta e o que não gosta – mas para isso, você precisa testar. Comece sempre com as coisas mais viáveis e depois vá investindo um pouco mais, se você gostar disso.

E vá testando, desenhando, pintando, sem medo de ser feliz!

Em Resumo: Divirta-se

“A arte deve confortar os perturbados e perturbar os confortáveis”

Hoje em dia, com tanta coisa nas mídias sociais, acho que nos cobramos horrivelmente para sermos perfeitos. É aquilo que falei antes: “ah meu Deus, meu feed precisa ser com a mesma estética, estilo consistente, cores agradáveis, ter a mesma paleta, preciso postar todo dia, preciso alimentar o algorítimo…!” mas isso meio que mata o sentido da arte, não?

Aquela hora que todo mundo resolve fuçar seu sketch e você fica com aquela cara de “Entããããão… É uma música do Muse”

Ela deve confortar o artista. Você não é um robô e não está aqui para agradar todo mundo – além de que também não está aqui para ser “influencer” de arte. Se dê um descanso e faça o que você quer fazer: divirta-se criando.

A arte é a sua maneira única de se expressar no mundo. É algo que ninguém além de você tem controle. É algo que só você pode fazer.

“SE EU POSSO DESENHAR COM UM PALITO DE FÓSFORO USADO? SIMBORA, MEU POVO”

Minha próxima aventura artística vai ser no mundo de tinta à óleo. Minha mãe é absurdamente boa em pintar quadros: a gente tem alguns dela aqui em casa e ela está pintando mais um. Então achei uma tela SUPER VELHA que tava até cheia de poeira mas em branco, vou limpar e furtar as tintas à óleo dela para tentar pintar algo.

Vai ficar bom? Provavelmente não. A perspectiva é que vai ser o caos na terra, eu vou acabar com tinta até dentro da orelha e vai ficar HORRÍVEL. Mas, conforme eu for treinando, quem sabe pintura à óleo não vai virar um dos meus hobbies favoritos?

O ponto é esse: aproveitar a nossa arte e usá-la para nos expressar; para ocupar o nosso espaço no mundo, da nossa maneira e do nosso próprio jeito.

Continue fazendo arte e continue brilhando – isso é o que importa!

E daí um dia você se arrisca até em uns projetos pessoais doidos de fazer uns 300 desenhos em 4 dias e fazer uma mini animação sem nem saber nada disso! Mas vale a pena!

Conhecida na Lua como Artemis, meu nome aqui na Terra é Kadine. Considero que sou de Serra Negra – sou ariana com ascendente em escorpião. Interessada em tudo que é artístico, tenho um fraco para pesquisar coisas obscuras! Desbravadora de museus, compro mais livros do que consigo ler, interessadíssima em outros idiomas e culturas, colecionadora de chás e canecas, escritora nas horas vagas e gamer noturna para passar raiva com invader em Dark Souls (e relaxar com Devil May Cry ou Resident Evil).