Arcade Lunar

Arcade Lunar: Devil May Cry – Sobre os Jogos e Ensinamentos de Dante

Então, como temos o Dia do Pastor Presbiteriano essa semana, resolvi falar de como essas imagens passaram de homens de castidade para fantasias strippers.

Gene e Ace do Chippendale Dancers (fonte do GIF: imgur)

Brincadeira gente.

Durante a reunião do Lune para definirmos os assuntos do mês, eu não conseguia parar de fazer piadinhas infelizes e essa foi uma delas (apesar do Dia do Pastor Presbiteriano realmente existir e não ser motivo de piada, Sam e Dean como padres foi mais forte que eu).

Como tivemos a estreia do Arcade Lunar esse mês – com meu post sobre o Game Awards 2020, que você pode achar aqui – pegamos a temática de games essa semana e vou falar do que provavelmente é minha série favorita de games na face da terra: senhoras, senhores e potências, hoje é dia de Devil May Cry!

Dante sendo a clássica criatura chamativa que é (fonte do GIF: tenor)

Então vem comigo, Artemis, e esse exagerado do Dante, porque hoje o nosso trem irá partir para conhecer melhor essa série cheia de humor, adrenalina, demônios e, porque não, lágrimas!

Origem e Relação com Resident Evil

Quem nunca jogou – ou conheceu – Resident Evil com seus inúmeros zumbis e ambientação de survival horror (literalmente, terror de sobrevivência)? Acho que, principalmente por causa da série de filmes, o título ganhou grande destaque e fez surgir a febre de zumbis e temáticas de sobrevivência/apocalípse.

Até a época, 1999/2000 quando se iniciou o desenvolvimento do jogo, havia três games principais na franquia de Resident Evil: o primeiro, na famosa mansão com Jill e Chris, o segundo, em que conhecemos Leon no seu primeiro dia como policial em Racoon City, e o terceiro, que nos colocou pra correr como Jill fugindo do assustador Nemesis e seu “STAAAARS”.

A partir daí, a equipe começou a desenvolver um quarto jogo – querendo, porém, levar para um caminho um pouco diferente do resto da série.

Ficou tão diferente, que resolveram criar uma franquia nova, que virou Devil May Cry.

E não foi tudo em vão: com novas ideias e novos estilos, Resident Evil ganhou sua quarta edição – sendo uma das mais famosas e bem sucedidas (por mais que todo mundo sofra tentando escapar dos zumbis com a Ashley sendo sequestrada a cada meio segundo)!

Uns bolinhos, mas bolinhos difíceis de lidar (fonte do GIF: fanpop)

Devil May Cry 1

Capa do jogo DMC 1 (fonte da imagem: wikipedia)

E eis que em 2001, a Capcom lançou sua nova franquia de jogos: Devil May Cry! Caindo no gênero ação/aventura e dirigido por Hideki Kamiya, o jogo trouxe inovações para o gênero e foi muito bem recebido na época – dando para entender o motivo de ser um clássico nos jogos de ação.

Dividido em Missões como níveis, o jogo trouxe uma mecânica de alternar entre armas e espadas, bem como utilização do famoso Devil Trigger, além de um combate que te incentiva a usar combos diferentes para ganhar pontos de estilo. Essa é a maneira de jogar o jogo: com estilo e usando tudo que você tem ao seu dispor ao mesmo tempo, inventando combinações e combos diferentes.

Apesar de toda a ação desenfreada contida no jogo, temos também quebra cabeças – famosos puzzles que tiram nosso sono na série de Resident Evil – e Secret Missions – que são missões escondidas pelo mapa, encontradas pelos jogadores mais atentos.

(Para pessoas que gostam de horóscopo: sempre falo que é um dos jogos mais arianos da face da terra)

Imagem de como, basicamente, é a gameplay (fonte da imagem: gamer news)

No enredo, somos apresentados a Dante, um caçador de demônios – relações com o Inferno de Dante Allighieri não é coincidência – que tem essa função para se vingar da perda de sua mãe e irmão pelas mãos de demônios. Trish, uma mulher misteriosa, aparece na loja de Dante – de maneira bem peculiar, diga-se de passagem – e o leva à uma missão em Mallet Island, local onde a mulher diz que o imperador dos demônios, Mundus – responsável pela morte da família de Dante – pretende retornar à terra.

Mas não é tão simples assim. Dante é filho do demônio Sparda com a humana Eva, sendo que Sparda foi responsável por ficar ao lado dos humanos em uma batalha e fechar os portões do inferno. Sendo assim, Dante é meio humano e meio demônio – podendo usar suas habilidades extraordinárias em lutas, inclusive o Devil Trigger: a possibilidade de transformar-se em demônio por um período de tempo.

Dante confia em Trish logo de cara, porque a mulher é a imagem perfeita de sua mãe. Mas tudo fica muito mais complicado do que só isso a partir do momento em que chegam à ilha.

E não vou dar mais spoilers sobre a história – só que é aí que começa a linda mania do jogo de ter o Dante atingido pela própria espada.

“Você acabou com ele. Talvez fosse fácil demais para você” Trish e Dante em DMC 1 (fonte da imagem: stranger than plot twist)

Se vale a pena? Devil May Cry geralmente vale, principalmente se você gosta da série e quer saber mais sobre ela. Dante é um personagem carismático (e temos uma das melhores cenas de dublagem da história dos games que não dá pra não dar risada), com uma história sensível e complicada, tendo tanto a ação quanto a emoção para nos deixar com o coração apertado.

Em quesito dificuldade, é conhecido por ser difícil. O jogo é antigo – de 2001 lembremos – então alguns controles podem ser meio travados e algumas mecânicas não tão fluidas para hoje em dia, bem como os gráficos não são excelentes. Existe uma versão remasterizada pela Capcom, mas não chega a ficar como um The Witcher 3, por exemplo.

Mesmo assim, se você for com a mentalidade de que esse jogo tem quase 20 anos desde seu lançamento, irá se divertir muito e entender o motivo de ter feito tanto sucesso!

(E será apresentadx ao nosso pastel de feira favorito que é o Dante, coitado, eu amo esse homem)

Devil May Cry 2

Sabe quando dizem que toda família tem uma maçã estragada?

Então. Essa é a do universo do DMC.

(Se você é fã e já tá pensando em DmC da Ninja Theory: calma lá que eu vou chegar nessa desgraça)

Capa do jogo DMC 2 (fonte da imagem: wikipedia)

Lançado pela Capcom em 2003, agora temos a classificação de hack n’ slash – gênero dentro de ação que trata de jogos focados em combate com troca de estilos e combinação frenética de combos. Apesar das críticas positivas do título anterior, Devil May Cry 2 teve opiniões mistas – e é lembrado até hoje como o “pior” jogo da série.

Mantendo as Missões como níveis e o rank por pontos de estilo ao longo do jogo, também temos a mecânica de Devil Trigger e os quebra cabeças como na série anterior. Foi adicionada, porém, uma maneira de esquivar dos ataques dos inimigos e de trocar de armas durante a luta sem ter que abrir o inventário.

Além disso, diferente de DMC 1, nesse jogo podemos controlar tanto Dante quanto Lucia – uma nova personagem.

As maiores reclamações foram que a dificuldade desse jogo é menor que a do primeiro. Além disso, os combates requerem menos estratégia, com a gameplay muito focada em armas de fogo, bem como cenários menos detalhados e abertos demais. Além disso, a personalidade de Dante virou completamente ao contrário: muito mais sério que no jogo anterior, ele mal fala durante DMC 2.

Dante e Lucia em DMC 2 (fonte da imagem: pdvg)

Em relação à história, Dante encontra Lucia em uma de suas missões, uma mulher que aparentemente caça demônios que nem ele. Indo para Dumary Island, Dante conhece Matier, mãe de Lucia, que conta como lutou ao lado de Sparda para proteger a ilha. Agora, ela e Lucia precisam de ajuda para derrotar Arius, um empresário que pretende invocar o demônio Argosax para dominar o mundo.

E assim, sem quase uma palavra, Dante entra na sua segunda aventura conosco. Sim, novamente iniciando tudo com uma mulher misteriosa – um clássico.

Eis a pergunta que não quer calar: vale a pena? Sinceramente, acho que só se você for muito fã da série. Eu mesma nunca joguei e pretendo jogar porque gosto muito de Devil May Cry. Mas já vi algumas gameplays e não me animou muito não.

Mantenho: se for jogar para ter a sua própria experiência e opinião, lembre-se que é um jogo antigo e isso deve ser levado em conta!

Devil May Cry 3: Dante’s Awekening

Agora sim é o momento de pirar: Devil May Cry 3 foi o primeiro que eu joguei da série e recomendo fortemente que todo mundo comece daí. Um amigo meu recomendou e falou que eu gostaria bastante e ele estava certíssimo.

Capa do jogo DMC 3 (fonte da imagem: wikipedia)

Lançado em 2005 pela Capcom e originalmente para Play Station 2, novamente classificado no gênero de hack n’ slash, DMC 3 traz Dante de volta à sua glória. Com uma história que se passa décadas antes do primeiro jogo, agora podemos entender mais desse universo e sobre o passado de Dante.

Em relação ao game em geral, temos as mesmas coisas dos anteriores: quebra cabeças, combates com rank de estilo, Devil Trigger, diversas armas que podem ser utilizadas ao longo das lutas… E uma coisa nova: a possibilidade de jogar em quatro estilos diferentes.

Logo de início, o jogador pode escolher entre Trickister – focando em agilidade e esquiva em combate – Swordmaster – dando novas habilidades e combos com espadas – Gunslinger – com diversas utilizações diferentes de armas de fogo – e Royal Guard – focando em repelir e revidar ataques. Ao longo do jogo, também é possível desbloquear os modos Quicksilver – para controlar o tempo – e Doppelgänger – dando a habilidade de lutar ao lado de uma cópia de Dante.

Esse jogo é notoriamente difícil. Joguei no PS2 e sofri a cada segundo: fiquei um mês para passar do primeiro boss. Depois disso, selecionei o modo fácil, estava indo numa boa até me desafiarem – aí voltei para o normal e resolvi zerar o jogo (note que eu era uma pessoa limitada a Crash, Pac Man e Star Wars I na época).

Já disse que o Dante é um exagerado…? (fonte do GIF: resetera)

Em relação ao enredo, Dante está muito mais jovem e acabando de abrir a loja – por enquanto, sem nome – para caçar demônios. Ele recebe a visita de um homem misterioso chamado Arkham (acho que você já pegou como começam as missões de Dante, não?), dizendo que o irmão de Dante o convida para algo.

É nesse jogo, então, que conhecemos Vergil – e juro que não existe um personagem mais amor e ódio na minha vida, porque o que eu tenho vontade de bater nesse homem é brincadeira – o irmão gêmeo de Dante, com os mesmos poderes e até mais forte. Invocando a torre Temen-ni-gru, Vergil pretende abrir os portões do inferno em busca de mais poder, sendo ajudado por Arkham – um humano que também busca poder.

Nisso tudo, Dante segue para a torre a fim de impedir seu irmão de fazer alguma burrada (como Vergil sempre faz, diga-se de passagem) e conhecendo durante o caminho, Lady, uma – acho que você já sabe, não? – mulher misteriosa que também quer parar toda aquela maluquice e aparentemente caça demônios.

Pausa para apreciar todas as mulheres de Devil May Cry, mas principalmente Lady e Trish por serem exemplos incríveis de mulheres fortes, independentes e maravilhosas durante a série.

Ah, e temos também Jester: um demônio bobo da corte completamente pirado que vai ajudando Dante no caminho e você não sabe se ele é bom ou ruim – mas tem certeza de que ele é insuportável.

O duro é que depois o Dante leva um tiro na testa e não sabe o motivo (fonte da imagem: steam)

A história desse jogo é definitivamente emocional. Apesar das longas cenas de ação e tiroteios desenfreados o jogo todo, Dante e Vergil têm uma relação complicada, que se torna ainda mais complexa por conta de Sparda e da tragédia que vivenciaram quando crianças. Os dois possuem uma rixa que não se sabe se poderá ser superada.

Enquanto Vergil acredita que sua força está no lado demoníaco, Dante acredita que a força está no lado humano. Enquanto um procura abandonar a própria humanidade para se tornar mais forte e poderoso sem nenhum ponto vulnerável, o outro busca abraçar a humanidade e rejeitar os poderes demoníacos buscando força no próprio caráter e bondade do coração.

Apesar de ser uma bondade regada à cerveja, pizza, sundae de morango e piadinhas de tiozão do pavê.

Mas, em todo esse embate de valores morais e idealismos, somente um pode sair vencedor.

“Eu entendo. Talvez em algum lugar por aí até um demônio possa chorar quando ele perde alguém amado. Você não acha?”

– Lady, Devil May Cry 3

A frase de Lady explica muito bem a série – e é a inspiração de Dante para finalmente dar um nome para seu negócio.

Emblemática cena em que Dante e Vergil unem forças pelo menos uma vez na vida (fonte da imagem: switch)

Devil May Cry 4

Trailer e gameplay legendada de DMC 4

E em 2008, a Capcom lançou Devil May Cry 4 – como continuação da série, cronologicamente após os acontecimentos de DMC 2. Em geral, garantiu boas críticas, trazendo um novo protagonista e uma história rica – porém, sendo criticado por utilizar-se de backtracking nas missões da metade para frente.

Ou seja, você joga com o novo protagonista até certa Missão do jogo e, em seguida, joga de volta pelos mesmos mapas com Dante.

Pessoalmente, não me incomodei com o backtracking – exatamente porque você joga com dois personagens diferentes, precisando pensar em novas estratégias e modos de combate, já que ambos possuem mecânicas completamente diversas.

Quando comprei esse jogo no lançamento, meu notebook não aguentava rodar direito na época, então joguei em câmera lenta porque não tinha fps suficiente para uma jogabilidade decente. Mas né, é Devil May Cry, valeu a pena.

Dante e Nero, protagonistas de DMC 4 (fonte da imagem: torcedores)

Começamos essa história com Nero, um rapaz rebelde que vive na cidade de Fortuna e presta serviços para a Ordem da Espada – uma religião local voltada a venerar Sparda. Nero é órfão e bem próximo de Credo – Capitão dos Holy Knights da Ordem – e Kyrie – irmã de Credo: gentil e com um grande coração, além de crush do Nero – que foram como irmãos adotivos dele.

E nossa, como a gente sofre no começo vendo como o Nero é pastel tentando demonstrar para a Kyrie que gosta dela, mas é orgulhoso até o último fio de cabelo mantendo aquela pose toda de “legal”.

O que causa uma grande comoção na cidade, é quando Dante chega no meio de uma missa e mata Sanctus – o padre principal, como um papa para aquela religião. Com a cidade toda em pânico e ataques repentinos de demônios, Kyrie e Credo ajudam a evacuar os civis enquanto Credo ordena a Nero que vá atrás de Dante.

O que poucos sabem é que Nero possuí sangue de demônio – mais indicado por seu braço, algo que ele esconde a todos os custos para não sofrer preconceito ou ser perseguido. Afinal, apesar de toda a pose e os poderes demoníacos, Nero é um garoto com um bom coração.

Indo atrás de Dante, toda sua crença na Ordem e na religião – que já não era lá essas coisas – começa a ser colocada em dúvida ao descobrir uma conspiração e ter sua amada Kyrie colocada em perigo.

Com uma mecânica completamente nova por conta do braço, habilidades e armas de Nero, Devil May Cry 4 é um jogo excelente que – novamente, minha opinião aqui – não faz do backtracking com o Dante algo cansativo!

“Nós vamos nos ver de novo?” e claro, Dante é muito ~legal~ para responder o moleque (fonte do GIF: tenor)

Devil May Cry 5

Você deve se lembrar que eu falei do DmC lá em cima quando comentei sobre o DMC 2, não?

DmC foi um jogo produzido pela Ninja Theory e lançado em 2013 que, em geral, é tido como um bom jogo. Já ouvi muita gente falando da jogabilidade e gráficos interessantes – o problema, porém, é que o jogo seria um reboot (ou seja, um reinicio) da franquia em uma realidade alternativa. Isso trouxe um novo Dante que não agradou nem um pouco os fãs: na tentativa de ocidentalizar mais o jogo, perdeu-se muito do significado e da história de Devil May Cry, ficando somente uma casca que tenta ser “legal”, “descolada”, “rebelde” e “sem filtro” em contraste a todo o embate moral que tínhamos antes sobre o que significa ser demônio ou humano.

Por isso reconheço, pode ser um jogo bom, mas nunca vai descer para mim – pessoalmente – como parte da franquia de Devil May Cry.

Depois dessa, os anos se passaram e achamos que Devil May Cry nunca voltaria com a história dos jogos anteriores – que Dante e Nero nunca se veriam novamente.

Até a E3 de 2018.

Trailer da E3 para DMC 5 (que quase matou todo mundo do coração)

E eu posso dizer com segurança que a comoção foi geral. De início, fiquei com muito medo do que ia acontecer, por conta do DmC que falei lá em cima, mas com certeza Devil May Cry 5 é uma continuação que valeu a espera de 10 anos.

Sim, dez anos. Eu quase chorei quando lançou. Ainda não joguei, porque pretendo revisitar todos os jogos da série na ordem cronológica antes de encerrar com a quinta edição – se você quiser me acompanhar sendo fã emocionada, provavelmente vou fazer stream no nosso canal da twitch, então nos siga lá!

Lançado em 2019 pela Capcom, Dante e Nero estão de volta como caçadores de demônios, além de acrescentar mais um novo personagem jogável na narrativa. Com isso, é preciso se adaptar não só à mecânica conhecida dos dois personagens anteriores, como do novo que surge com uma jogabilidade completamente diferente.

Como resultado, DMC 5 ganhou Melhor Jogo de Ação no Game Awards 2019, Award for Excellence no Japan Game Awards 2019, e muitos outros prêmios e nomeações em cerimônias ao redor do mundo.

V, Nero e Dante, protagonistas jogáveis de DMC 5 (fonte da imagem: a torre de controle)

Nesse jogo, Nero está de volta sem seu braço demoníaco: este foi arrancado por um demônio chamado Urizen, fazendo Nero viajar com Nico – especialista em armas e perigo para a humanidade na direção de um furgão – para a cidade de Red Grave, tomada por uma grande árvore demoníaca chamada Qliphoth e os demônios que com ela vieram.

Dante, Trish e Lady, entretanto, já estavam na missão de parar Urizen, contratados por um rapaz – sim você já sabe – misterioso chamado V. Urizen, porém, é muito mais forte que todos eles e Nero e V não tem outra opção senão fugir.

Retornando para a cidade posteriormente, Nero e V vão terminar o trabalho e resgatar os caçadores de Urizen. V, por ser fraco, depende da ajuda de Griffon, Shadow e Nightmare – um pássaro, uma pantera e um monstro de sombras, fazendo a gameplay com ele ser completamente diferente dos outros personagens.

Nero, apesar de não ter seu braço como no DMC 4, utiliza uma versão mecânica feita por Nico, que pode ser alterada ao longo do jogo, dando novas opções na gameplay.

V e Griffon – imagina chegar com um passarinho humilde desses em algum lugar (fonte da imagem: meu ps)

O jogo desenvolve ainda mais a história de Dante e Vergil, assim como de Sparda e Eva, mergulhando nas memórias dos irmãos e fazendo-nos questionar o que seria diferente caso não tivessem vivido aquela grande tragédia na infância.

Enquanto isso, temos revelações que já eram suspeitas, o retorno de personagens anteriores na série e um desfecho digno de deixar qualquer fã com lágrimas nos olhos.

O Ponto Principal das Histórias da Série de Devil May Cry

Achei que ia ser mais fácil resumir tudo aqui no final.

Como comentei no DMC 3, Dante e Vergil possuem uma rixa por conta dos ideais que cada um tem a respeito de humanidade e poderes demoníacos. Enquanto um vê poder em ser inteiramente um demônio, o outro vê poder em ser inteiramente humano.

No fim, mesmo Dante sendo um doido que sai gritando de alegria por aí sempre que está no meio de uma luta, provoca os demônios mais poderosos, faz piadinhas de tiozão do pavê e se entope de pizza sem pagar uma conta sequer da própria loja, ele acaba com qualquer um nas lições de moral: o que te faz bom é seu coração, não a condição na qual você nasceu.

O que isso significa?

Dante e Vergil em DMC 5 (fonte da imagem: uhd paper)

Se você é um demônio e tem um bom coração – como Sparda, que escolheu proteger humanos, e Trish, que escolheu seguir como caçadora ao lado de Dante – você é um bom ser que merece viver uma boa vida.

Se você é um humano e possuí um coração podre e corrupto – como Agnus, que se vendeu por poder para tornar-se demônio, ou Arkham, que sacrificou a própria família por poder – você é um ser desprezível, mais do que qualquer demônio.

A série nos ensina que humanos podem ser seres horríveis se escondendo atrás de uma fachada de integridade e boas ações, enquanto demônios podem ser seres bondosos escondendo as boas ações para não sofrer preconceito da sociedade.

Se levarmos isso para a nossa realidade, quantas vezes vemos pessoas que se dizem íntegras e justas e na verdade são completamente corruptas e podres? Quantas vezes vemos pessoas que sofrem preconceito e são consideradas más somente por conta da própria aparência e na realidade são gentis e preocupadas com os outros?

É exatamente assim que Dante é. Ou Nero. Ou Trish. Ou Lady… Todos possuem seus defeitos. Todos são revoltados e levam vidas que muitos os considerariam como perigosos ou rudes – mas, no fundo, tudo que fazem é por conta da empatia e do bom coração.

Para muitos, Devil May Cry pode ser “só uma série de games” – mas, para quem conhece, sabe que não é isso: é uma história que, apesar de divertida e empolgante, tem muito a ensinar sobre sempre buscar ser um humano melhor, independente da sua origem.

Ouviu Vergil? Ser um HUMANO melhor, sem matar pessoas por aí, por favor (fonte do GIF: tumblr)

Conhecida na Lua como Artemis, meu nome aqui na Terra é Kadine. Considero que sou de Serra Negra – sou ariana com ascendente em escorpião. Interessada em tudo que é artístico, tenho um fraco para pesquisar coisas obscuras! Desbravadora de museus, compro mais livros do que consigo ler, interessadíssima em outros idiomas e culturas, colecionadora de chás e canecas, escritora nas horas vagas e gamer noturna para passar raiva com invader em Dark Souls (e relaxar com Devil May Cry ou Resident Evil).