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Lado Escuro da Lua: A Camisinha Assassina – Terror, Comédia, Romance ou Alucinação Coletiva?

Sim, foi isso mesmo que vocês leram, para nosso Especial de Halloween, trago até as terras lunares esse filme de terror – que mais parece uma comédia – que, se não se tratasse de camisinhas que arrancam (vocês sabem né?), passaria tranquilamente na programação de filmes da tarde da televisão brasileira.

trailer do filme em inglês (ps: só achei em inglês)

Camisinha Assassina é um filme trash de 1996. Alemão, é baseado nos quadrinhos Kondom des Grauens e Bis auf die Knochen de Ralf König. E para mim, está mais para uma comédia, meio pornô, do que terror. Ele também traz no fundo de tudo uma questão social, que, para a época, por ser tratado de forma natural, ganhou pontos com a Hekate aqui.

Uma parte dos quadrinhos na versão original de A Camisinha Assassina (fonte da imagem: ralf-koenig)

A sinopse dele é: “Após perder um dos testículos para a terrível camisinha assassina, o detetive Luigi Mackeroni (Udo Samel) tenta aniquilar a ameaça de látex produzida por um grupo de desequilibrados, a fim de acabar com os tarados de New York.” Ok, eu sei, não dá pra levar um filme com esse título e essa sinopse a sério, e não dá mesmo.  Não sei se foi a real intenção dos produtores, mas eu ri do começo ao fim.

A primeira cena é a de um professor e uma aluna em um hotel de quinta categoria que as pessoas usam para fazer sexo. E sim, ele foi a primeira vítima apresentada a nós, expectadores – e confesso que achei bem feito a camisinha ter arrancado o amiguinho dele fora, pois a menina claramente não queria nada com ele, mas ele estava chantageando. A cena é cheia de sangue falso, grotesco e gritos escandalosos – clichê dos filmes de terror, não é mesmo?

Cena em que a camisinha decepa o professor no hotel (fonte da imagem: static flikr)

Daí em diante, nosso personagem principal aparece para resolver o mistério – que, até então, os policiais acreditam ser: garotas de programa arrancando os órgãos sexuais de seus clientes, todas no mesmo hotel, com a mesma tática.

(Ah esqueci de falar antes: nesse hotel, eles disponibilizam camisinhas grátis, devido a um programa do governo para combater a disseminação de doenças – mas o mais bizarro, é que as camisinhas estão todas fora das embalagens e ninguém tá ligando para isso)

O detetive – que aliás é um frequentador assíduo do local – vai até o mesmo, a fim de investigar e saciar seus desejos carnais com um dos garotos de programa que estão pelo local. Então a coisa começa a ficar interessante, pouco antes do “rala e rola”, eles percebem que o que estava mutilando os homens não eram as mulheres e sim o objeto de látex.

A risada rola solta quando a camisinha aparece fazendo barulhinhosiguais aqueles brinquedos de plástico que quando aperta sai um som estridente – e saí correndo por aí, como se não houvesse amanhã. Ela cria dentes enormes e arranca um dos testículos do detetive – que é um capítulo à parte, por ser um figurão que vive fumando em locais proibidos e usando óculos escuros.  

Cena do detetive no hospital, depois de ter perdido um dos testículos (fonte da imagem: maníacos por filme)

Muitos tiros e invasões aos quartos alheios depois, finalmente o policial consegue capturar o objeto e o leva até um laboratório para saber do que se trata aquilo – que era no mínimo esquisito. Gente, sério! Para mim, essa é a parte mais engraçada de todas; um homem adulto, correndo atrás de uma camisinha que anda e faz barulho, atirando para todo lado.

Quando os relatos dos acusados e do policial não são levados a sério, ele surta por uns bons 10 minutos de filme, fazendo parecer que ele é um louco – não que ele não parecesse antes – e uma das coisas que eu fiquei pensando enquanto assistia foi: “como esse homem é um detetive, com porte de armas, e não consegue acertar nenhum tiro?”

O que parecia não poder piorar… Piora! As camisinhas saem do ambiente do hotel, espalhando-se pela cidade toda, atacando não somente os órgãos sexuais como qualquer parte do corpo humano, arrancando alguns narizes e afins. Talvez nesse momento o intuito era deixar o público com certo desespero, mas o que conseguiu arrancar, pelo menos de mim, foram risadas, por ser bizarro de tão ruim.

As camisinhas saindo do bueiro (fonte da imagem: boca do inferno)

Ver as camisinhas saindo dos bueiros e fazendo sons estranhos, andando pelas ruas, é tudo – tudo mesmomenos aterrorizante. A forma exagerada dos personagens em cenas relativamente fáceis de serem contornadas, ou pela forma com que se expressam em um geral, dá certo desespero, e claro, como muito dito nesse texto, muitas risadas.

Em conclusão, descobre-se que quem inventou e distribuiu essas camisinhas assassinas pelas ruas de New York, foi uma médica louca – ultraconservadora – que queria dar fim ao que julgava ser imoral, pecaminoso e pervertido.

Ela sequestra um cientista, que parece não estar com o juízo perfeito também, e em um laboratório localizado nos bueiros da cidade, produz o objeto. O discurso de ódio dela, infelizmente, ainda é muito atual em casos de homofobia e descriminação. E tudo bem, ao ver dela, sequestrar, mutilar e matar as pessoas. Mas se a pessoa quisesse viver a vida dela, como bem entendesse, era erradoEnfim, a hipocrisia!

Voltando ao enredo engraçado, a médica desenvolve uma camisinha extra grande para nosso querido inspetor – que já se vangloria do tamanho de seu membro no início do filme – que mais parece um alienígena do que uma camisinha. Mais cenas de lutas corporais desengonçadas e tiros nada certeiros, o filme acaba com um “final feliz” e expressões faciais engraçadíssimas.

A dublagem – pelo menos na versão que eu assisti – ajudou para que o filme ficasse mais trash ainda. As expressões dos anos 90 também são hilárias e foi isso que me deixou mais feliz assistindo esse filme que é muito ruim, mas é tão ruim, que arranca boas risadas, distrai a mente das coisas do mundo real e ainda – no caso desse filme em questão – faz as pessoas pensarem sobre o respeito ao outro; que é importante cada um viver e cuidar de sua própria vida e escolhas relacionadas à suas vidas pessoais. 

Imagem da camisinha com dentes (fonte da imagem: pbs.twimg)

Bônus: Assistam ao filme – A Camisinha Assassina

Sim, eu vou indicar que assistam a esse filme: porque todos nós merecemos perder umas horas de nossas vidas alimentando nossas almas com filmes ruins.

Isso nos traz distração – e ainda é um bom jeito de puxar assunto – é só chegar e mandar um “nossa, eu li um post sobre um filme, dizendo que era ruim, e eu assisti e era ruim mesmo, vou te contar…”

Dica de ouro diretamente aqui das terras lunares!

Achei a versão completa dublada no youtube: https://youtu.be/kw-UXR3zpPk

(E versão original com legenda em inglês: https://youtu.be/gtmGNW2PTAQ)

Estreia do Lado Escuro da Lua

Para a estreia desse quadro de filmes trash, temos a redação toda do Lune Station com posts próprios! Vou deixar os links dos posts da Sel e da Art para vocês lerem também!

Lado Escuro da Lua: A Casa de Cera – A Cera Derrete Conforme seu Sono Aparece, por Selene

Lado Escuro da Lua: House of the Dead (eu assisti para você não ter que assistir), por Artemis

Oi, eu sou a Gabriela, mais conhecida por aqui como Hekate. Nascida e criada em São Paulo, duplamente escorpiana, apaixonada por tudo ligado à cultura pop e, às vezes, não tão pop assim. Comédias românticas, livros do Sidney Sheldon, playlists e músicos undergrounds, kpop e o Corinthians são minhas maiores paixões. Aspirante a chef de cozinha e escritora, amante de chás e de abraços.