Lado Escuro da Lua,  Especiais,  Halloween na Lua,  Pipoca Lunar

Lado Escuro da Lua: House of the Dead (eu assisti para você não ter que assistir)

Eu, Artemis, ia lhes trazer a pérola que é Piranha 3D. Mas achei um filme melhor para estrear o meu Lado Escuro da Lua: House of the Dead.

O Lado Escuro da Lua será nossa coluna especial aqui no blog para falar de tudo que é trash: filmes, livros, animes, séries… Qualquer tipo de mídia que for ruimefetivamente ruim ou “tão ruim que fica bom” – vai figurar nesse quadro.

Já tinha ouvido lendas sobre esse filme – de que era uma das piores coisas existentes no terror da sétima arte – mas realmente pensei “olha, não deve ser TÃO ruim assim quanto estão falando”.

SIM. É tão ruim quanto todo mundo fala.

Só de ser baseado em um jogo de vídeo game, já temos que ter medo – não sei qual é o karma que persegue filmes de games, mas parece que é uma regra com pouquíssimas exceções que filmes baseados em jogos são péssimos.

Enquanto assistia ao filme, anotei alguns comentários para poder falar dessa preciosidade na terra para vocês. Então, podem embarcar no trem, porque hoje vamos dar risada na tal ISLA DEL MORTE de House of the Dead.

(Não, eu não errei. Sim, eles deram o nome da ilha de Isla Del Morte. É bom se preparar pra pandeguice que vem aí)

Primeiramente: O Que Diabos é Esse Filme?

Tela do jogo de vídeo game (fonte da imagem: wikipédia)

The House of the Dead é um jogo da SEGA, uma desenvolvedora japonesa de games, lançado em 1996. É de FPS (first person shooter/tiro em primeira pessoa) e survival horror (jogos com temática de terror de sobrevivência) – originalmente de arcade e depois para outras plataformas.

A história gira em torno de um massacre com zumbis ocorrendo em uma mansão, por conta de experimentos realizados por um cientista – restando aos personagens principais resgatar os sobreviventes e sair com vida.

(Me deu um feeling do game Resident Evil 1, mas ok. Ambos são da mesma época)

O jogo, porém, é também reconhecido como um dos elementos que trouxe zumbis de volta à mídia popular – sendo ele e Resident Evil os principais responsáveis por isso! A recepção foi boa e o sucesso claramente fez um filme do game parecer uma boa ideia.

The House of the Dead: Filme Trash de Terror Para Dar Risada

Poster do filme House of the Dead (fonte da imagem: wikipédia)

O filme é de 2003, dirigido por Uwe Boll, co-produzido pelo Canadá, Alemanha e Estados Unidos. A recepção da crítica foi ruim e, mesmo assim, há uma continuação de 2005 (que eu sinceramente não faço a menor questão de assistir, a não ser que vocês queiram MUITO).

Começamos a história com um cara no meio de uma floresta falando dramaticamente de como ele foi para uma ilha numa rave e agora tudo cheira à morte e sangue.

Uma rave.

Já consegui ver que o filme ia ser sensacional e bem anos 2000 daí.

O começo já parece que você tá assistindo duas coisas diferentes: tem uma abertura misturada com partes do vídeo game alteradas com aqueles efeitos de cor do Photoshop e uma música super fritada, cortando depois para a introdução dos personagens principais e uma abertura que parece mesmo de filme.

Ou seja: daí já dá pra ver que inconsistência de tom provavelmente será algo forte nessa jornada.

A incrível rave patrocinada pela SEGA (fonte da imagem: passagem secreta)

Depois disso, o roteiro já começa a brilhar: todos os jovens estão animados para uma rave da SEGA em uma ilha no meio DO NADA com no máximo umas 30 pessoas. E tudo tá TÃO LEGAL, que uma moça tá falando no telefone com a amiga no meio da RAVE com uma “recepção de celular de porcaria”.

Querida, atualmente a recepção seria péssima no meio do MAR, imagina nos anos 2000.

Outro momento que sabemos que esse filme vai brilhar: temos uma mulher pelada e um cara descaradamente filmando os peitos da outra. Isso realmente será uma aventura de todos os clichês ruins de filmes de terror.

E meu DEUS como a trilha sonora é brega.

(Isso tudo foram só cinco minutos de filme)

Voltando para o enredo principal do filme após essa apresentação maravilhosa, os jovens que foram apresentados no início buscam um barco para alugar e ir para a rave, já que perderam o principal meio de transporte. Quando o capitão do barquinho vê onde é a rave, porém, imediatamente se recusa a levá-los. E aí vem uma das melhores falas do filme:

“Você sabe como chamam essa ilha? ISLA DEL MORTE”.

“MORTE. É a palavra em Espanhol pra “morte”!”

Meu amigo, isso aí é Português. Sinto lhe informar, mas o Google Tradutor te enganou.

É nesse ponto do filme que percebi algo que e dura até o final: tudo acontece tão rápido! Parece que eles estão com pressa de atuar e passar logo as falas, não dá nem tempo de construir a tensão. Acaba parecendo mais um teatro de escola do que um filme.

E pior que, também por causa disso e talvez a inexperiência do elenco de lidar com um filme sério em frente de câmeras, as tentativas dos personagens de ser badass e intimidadores acabam sendo mais cômicas que qualquer outra coisa.

Assim, o cara principal (até o momento) se dispõe a pagar mil dólares pra levarem eles pra rave na ilha. Olha, essa rave tem que ter ouro distribuído de graça pra pagar tudo isso, viu.

Enquanto se encaminham para o lugar, dá pra perceber que o roteiro lida com os clássicos estereótipos tontos de terror. Temos a mocinha esperta que parece ser a única pessoa com bom senso no rolê enquanto todo mundo é bem besta; o mocinho bonitinho e rico; a moça negra que sempre questiona quando o pessoal quer se enfiar numa casa abandonada que vai gerar a morte de todo mundo, mas mesmo assim segue o fluxo; o cara que fica filmando os peitos das mulheres porque aparentemente homem só faz isso; e claro, CLARO, a única personagem loira tem que ser a “loira patricinha nojinho” estilo Paris Hilton – inclusive, ela parece bastante com a socialite.

(lembremos de Paris Hilton em A Casa de Cera)

Um ponto positivo? Pelo menos temos uma personagem negra e uma asiática.

Um ótimo lugar para dar um mergulho, inclusive (fonte da imagem: supermarcey)

Aparentemente também, as mulheres ficam EXTREMAMENTE confortáveis sem roupa no mundo mágico de House of the Dead. Um dos caras aparece no meio do barco pra dar um crucifixo pra uma das mulheres e ela de boas, sem blusa, como se nada de mais estivesse acontecendo.

É nesse momento durante a minha aventura assistindo à essa pérola que resolvi começar uma contagem de mulheres sem blusa. Tivemos 3 até agora.

Ah, e aquilo que falei também sobre ter cortes de cenas do jogo no meio do caminho: Eu tinha visto em algum lugar que isso era algo no filme, mas achei que não era real. Senhoras, senhores e entidades não binárias: é real.

Bom, quando o nosso querido grupinho da rave chega aonde deveria estar acontecendo a festa, temos uma das melhores cenas. O lugar está INTEIRO DESTRUÍDO e o pessoal me vem com “ai nossa vamos nos divertir e dançar a noite toda!”.

Eis que a nossa mocinha inteligente e crítica pega uma blusa cheia de sangue no chão e fala que algo ruim deve ter acontecido, mas o pessoal só fica “uuuuh tipo o que? HAHAHA!” zoando a moça e procedem a beber cerveja e dançar como se não fosse nada de mais. MINHA GENTE, O LUGAR TÁ EM PEDAÇOS.

Eis que a mocinha crítica, a moça negra com semi bom senso e o cara que gastou mil dólares pra ir pra rave saem por aí para investigar o que aconteceu e encontram uma casa abandonada caindo aos pedaços. Eles voltam para o barco e vão buscar ajuda? Não, claro que não. Eles resolvem entrar na casa.

Cena de quatro dos sobreviventes (back to the gaming)

É aí que encontram três sobreviventes – que eu me lembre – do que aconteceu na rave: o cara da câmera – porque sempre tem um pastel que filma tudo e morre – a moça asiática e o cara do começo do filme. Eles mostram os zumbis atacando pessoas na rave e falam que a única maneira de sobreviver é escapando de lá.

E contagem de mulheres sem blusa: 5. Porque era só isso que tinha na câmera do cara enquanto ele rebobinava.

É a partir daí que vemos que os mortos vivos de House of the Dead são extremamente especiais: eles correm, pulam, voam até e nossos protagonistas parecem um bando de pernas de pau que só conseguem fazer besteira. Como era de se esperar, eles se reúnem para voltar ao barco, mas começam a ser caçados pelos “zumbis” – gerando cenas de ação bem mequetrefes e perdas de personagens que sinceramente não fazem a menor falta.

(Aliás, MacGyvers. O cara da polícia chama MacGyvers. Como esse filme não ganhou um Oscar?)

Voltando ao barco, descobrimos que os mortos vivos NADAM. E, como se isso não fosse suficiente, o mocinho rico se joga na água para nadar até o barco com mais vontade que Dean e Sam Winchester salvando pessoas de lagos amaldiçoados, engatilhando uma cena de “desespero” e ação frenética com balas inacabáveis – que você só pensa “tomara que morra mesmo, tava todo mundo falando pra ele não entrar na água e vendo os bichos nadando e o moleque se joga lá?!”

Além disso, a moça asiática entra na água com uma faquinha na mão pra quê? Também não sei. Quando alguém descobrir o intuito dela, favor me dizer. Obrigada.

Foi nesse momento que tive uma epifania do que pode definir esse filme: uma procissão de pessoas fazendo coisas estúpidas para rolar cenas de ação e pancadaria que nem no jogo.

A partir daí, os sobreviventes decidem que ficar na casa – sim, aquela casa abandonada lá do começo do filme – é a melhor opção que eles têm para se proteger e sobreviver aos ataques das criaturas. Sendo assim, ficam todos armados – graças ao roteiro que convenientemente fez o capitão também ser traficante de armas – e chegamos à maior cena de ação de todas.

Ela é uma completa BAGUNÇA.

Os zumbis nada assustadores de House of the Dead (fonte da imagem: supermarcey)

Ia falar isso antes, mas resolvi deixar para comentar agora e fazer a análise de uma vez.

Faltam asas às minhas palavras para definir a edição desse filme. Ela é toda cortada, tem erro de continuidade (algo consistente na produção), utiliza umas breguices com cara de efeitos de Windows Movie Maker que usávamos na escola pra fazer transições “legais”, sendo que a cena de ação principal fica entrecortada e parecendo mais uma introdução de personagens em início de jogo do que uma cena propriamente dita – enquanto você fica olhando tudo com aquela cara de “tem tanta coisa acontecendo que meu cérebro nem registrou direito”.

A maquiagem dos mortos vivos também é bem fraca, dando o mínimo de caráter assustador e fazendo com que você não tema pela vida dos personagens principais – que, inclusive, são tão mal desenvolvidos que não dá para entender suas motivações e porque devemos nos apegar a eles.

As munições dos personagens são infinitas. A moça asiática manja de artes marciais. As lutas são tão coreografadas que dá pra ver o pessoal parando para fazer o que tinha sido combinado (bem no estilo “espera só um minutinho que eu tenho que te bater agora, colega”). O pessoal tem umas 40 granadas e não consegue passar por uma porta fechada. E, de quebra, temos um flashback inteirinho, sem motivo algum, dessa cena toda com uma trilha sonora fritada que quase explodiu meu cérebro (não recomendável para pessoas com epilepsia, de verdade).

A cena tem uns 10 minutos de duração. Pareceu meia hora frenética.

E fica aqui essa cena maravilhosa da história do cinema pra quem quiser se aventurar. Só deixo avisado desmembramentos e cabeças explodindo, típicas de filmes de mortos vivos

Finalmente, eles conseguem se guarnecer na casa – mas não sem antes o zumbi, que levou um tiro na testa e morreu, levantar a cabeça por engano no meio da cena, fechando os olhos rapidinho pra fingir que nada aconteceu – que nem quando você é criança e finge que está dormindo em uma pose dramática quando escuta os pais se aproximando de madrugada.

É aí que a produção tenta enfiar dois romances com 0 química, usando cenas extremamente clichês e pertencentes às novelas dramáticas dos anos 90, com beijos que mais nos deixam com uma cara de “precisa mesmo disso, minha gente?” do que torcendo para que os personagens fiquem juntos.

Explorando a casa para achar uma saída, os protagonistas encontram um laboratório, com vários testes humanos que o filme não explica nada. A única coisa que faz é que um deles olha um monte de célula no microscópio e fala que é sangue do cara semi morto numa maca ao lado, mas que não é humano e fruto de uma mutação.

O mundo não estaria em pandemia se esse cara estivesse nas pesquisas de saúde, viu.

Agora, você acha que não dá pra ficar pior? SEMPRE dá pra ficar pior, minha potência. Fugindo por um túnel subterrâneo, aparece um mané vestido de pirata com uma capa preta até os pés empunhando uma espada antiga.

É nessa hora que eu comecei a rir mais do que devia e me perguntar “o que DIABOS está acontecendo com esse filme?!”

Capturados pelo grande vilão de tudo isso – um padre Espanhol da época dos piratas que atualmente parece uma versão falsificada do Pinhead – a mocinha esperta e o cara do começo do filme, os dois únicos sobreviventes até agora, começam a questionar as motivações do vilão – que, aparentemente, fazia testes em humanos e os transformava em mortos vivos.

Fake Pinhead e a mocinha esperta (fonte da imagem: supermarcey)

“Você criou tudo isso para ser imortal. POR QUÊ?” pergunta o mocinho dramaticamente, sendo segurado pelos zumbis. Fake Pinhead se aproxima macabramente e explica “Para viver para sempre”.

Foi aí que eu desisti completamente do filme.

A ÚNICA motivação do cara é essa. E desenvolvimento de personagem? Arco de evolução? Por quê? Ele viu alguém morrer? Os pais morreram quando ele era jovem? A amada dele foi retirada dele por doença? Um mentor morreu nos braços dele? Ele queria ser um deus do novo mundo, imortal e poderoso?

Boa pergunta. Ele só fala que quer viver pra sempre (várias e várias e várias vezes).

Na escapada mais patética da história do cinema, os personagens principais conseguem fugir do laboratório e sair da casa – mas sem antes serem perseguidos pelo Pinhead falsificado. E eis que temos uma luta de espadas, repleta de câmeras giratórias em câmera lenta que vai te deixar confuso, tonto e com uma sensação de saudades de cenas de ação bem feitas como em John Wick.

Nossos dois únicos sobreviventes e aparentemente os Homens de Preto que vão resgatá-los

O finalzão do filme? Não vou deixar esse spoiler. Mas já coloco um ponto a mais na minha contagem de mulheres sem blusa – não é exatamente sem, mas vai para a contagem por motivos óbvios, então o número final é seis.

Temos personagens que deveriam morrer e não morrem, cabeças de zumbis explodindo com uma pisada, decapitações por motivos idiotas e o final super clichê de dois homens de terno chegando de helicóptero na ilha falando que estavam lá para resgatá-los.

A Umbrella estava por trás de tudo isso, certeza.

Não vou mentir: o final é bem parecido com Resident Evil – sendo que o primeiro filme de RE veio para os cinemas em 2002. Claramente, a intenção era criar uma franquia que fizesse tanto sucesso quanto a de RE – mas, sinceramente, há vários motivos pelos quais não funcionou.

O problema é que House of the Dead tem vários pontos no roteiro que poderiam funcionar. Se trabalhados da maneira correta – e com correções nos clichês intermináveis do roteiro – haveria discussões sobre sobrevivência, deixar os amigos para trás, matar os próprios conhecidos e amigos após vê-los se tornar zumbis, acabar com a própria vida para não se tornar uma criatura, entre outras, que são dignas de um filme de mortos vivos.

Mas da maneira como foi feito, o filme parece mais uma coisa trash para assistir na sessão da tarde a fim de dar muitas risadas, do que um filme de terror/suspense propriamente dito.

Tudo que House of the Dead errou, o primeiro filme de Resident Evil acertou. Sei que muitos reclamam e que o filme não é perfeito, mas Resident Evil – O Hóspede Maldito faz um bom trabalho em construir os personagens e o suspense, dando uma experiência de zumbis bilhões de vezes melhor do que em House of the Dead.

Bônus: Assista à Essa Pérola do Cinema – The House of the Dead

Chegou até aqui e está convencido a assistir essa coisa maravilhosa que é House of the Dead? Ok! Vá por sua conta e risco, além de uma mente aberta para morrer de dar risada. Dá pra encontrar o filme no Youtube, então fica o link para se divertirem!

Depois venham me contar o que acharam desse horror!

Versão Dublada: https://www.youtube.com/watch?v=y_TfWDaX3KA&ab_channel=YOUTUBEENTRETENIMENTO

Versão em Inglês (infelizmente, tem alguns pequenos cortes, mas nada que interfira MUITO nessa belezura): https://www.youtube.com/watch?v=muzr0-OPl5M&has_verified=1&ab_channel=GeneralJoshua

Bônus 2: Lado Escuro da Lua

Nossa coluna de tudo que é trash e ruim em si, o Lado Escuro da Lua, conta para a sua estréia com a redação toda do Lune Station! Vou deixar os posts da Selene e da Hekate, que são de filmes de terror igualmente trashes e ruins, para nos divertir nesse Halloween!

Lado Escuro da Lua: A Camisinha Assassina – Terror, Comédia, Romance ou Alucinação Coletiva?, por Hekate

Lado Escuro da Lua: A Casa de Cera – A Cera Derrete Conforme seu Sono Aparece, por Selene

Conhecida na Lua como Artemis, meu nome aqui na Terra é Kadine. Considero que sou de Serra Negra – sou ariana com ascendente em escorpião. Interessada em tudo que é artístico, tenho um fraco para pesquisar coisas obscuras! Desbravadora de museus, compro mais livros do que consigo ler, interessadíssima em outros idiomas e culturas, colecionadora de chás e canecas, escritora nas horas vagas e gamer noturna para passar raiva com invader em Dark Souls (e relaxar com Devil May Cry ou Resident Evil).