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Lado Escuro da Lua: Natal Negro (2006) – Como NÃO Ter Um Feliz Natal

E estamos de volta com o nosso quadro de filmes trash, dessa vez Edição Especial de Natal: Natal Negro (2006) é um filme que entra em toda sua glória trash pro rol do Lado Escuro da Lua.

Já comentando que o título é uma porcaria. Nada a ver terem colocado “negro” no título só pra dar ~medinho~ – negro/preto é uma cor. Tenhamos mais criatividade para títulos de filmes de terror, o nome não tem nada a ver com o filme.

Ok, tirando isso da frente: Natal Negro é um dos filmes de terror mais cômicos que já assisti e eu realmente não sei se essa era a intenção ou não. Como uma regravação de um filme dos anos 70, vi muita gente falando que os dois são completamente diferentes – e lá vou eu pra assistir mais um filme de terror, e por favor que o original seja melhor que esse.

Mas né, ouvi lendas de que esse é um dos piores filmes de terror do mundo – então claramente é o que acabei escolhendo para assistir. Já disse que AMO filmes de terror trash, não…?

É o pior filme que já assisti? Com certeza não. House of the Dead – filme que estreei esse quadro, você pode ler no link aqui – ainda segue firme e forte como pior: afinal, como superar um padre zumbi pirata versão falsificada de Pinhead numa rave da Sega na Isla Del Morte?

Enfim, respire fundo e se prepare: o trem está de partida para o Natal letal mais cômico e bizarro de todos, em um filme que até podia ser bom, mas não foi!

Natal Negro – O Filme de 2006

O poster do filme é mais assustador que o filme em si (fonte da imagem: wikipedia)

Lançado em 2006 e dirigido por Glen Morgan, Natal Negro veio para nos assombrar com um filme que você não sabe se é terror, comédia ou intencionalmente brega. É baseado no filme de 1974 – considerado um dos primeiros filmes de terror slasher, o original é até visto como um clássico cult que pode ter influenciado o clássico Halloween com a Jamie Lee Curtis.

Então por que a remake de 2006? É um mistério.

Talvez tentaram trazer o filme de volta, mas definitivamente não deu certo. Eu de verdade não sabia se estava assistindo um filme de terror ou humor sórdido – não sabia se era para levar o filme a sério ou não.

Só pra você entender o tom do filme.

De protagonista, temos a nossa eterna Ruby loira da série Supernatural – a atriz Katie Cassidy. As atuações não são ruins: de verdade, são as reações das atrizes e a maneira como elas se comportam que me fizeram pensar que sim, o filme estava tentando ser sério.

E você deve estar se perguntando: nossa Artemis, mas qual é o problema pra você ter ficado tão confusa?

Vamos lá que vou te contar esse horror de Natal.

Casa em que se passa o filme (fonte da imagem: dailymotion)

A premissa é bem básica: a sororidade Delta Alpha Kappa fica localizada na casa em que, muitos anos antes, morou uma família com uma trágica história – na noite de Natal, o filho matou a mãe, o namorado da mãe e arrancou um dos olhos da irmã mais nova, sendo internado em um hospício.

Por conta disso, a sororidade tem o costume um tanto supersticioso de colocar um presente para o assassino na árvore todo ano – mais ou menos como uma entidade, para que ele não fique bravo com elas.

Com o desenrolar da história, descobrimos que Billy, o tal assassino, foi constantemente abusado pela mãe – sexual e psicologicamente – sendo que sua “irmã” era, na verdade, filha dele com a própria mãe. Rejeitando-o desde criança, a mãe matou o pai de Billy na frente do garoto, fazendo-o se esconder no sótão. E lá, ele ficou trancado somente para ser abusado durante os anos.

Com uma preferência pela filha e dando amor – amor doentio, na real – só para ela, Billy escapa em um Natal e mata a família, fazendo biscoitos da pele da mãe e arrancando um dos olhos da irmã pra juntar à ceia.

Essa é a história de terror básica que as irmãs da fraternidade contam entre si – mas logo, coisas estranhas começam a acontecer e elas descobrem que Billy voltou para casa.

Algumas das personagens da sororidade (fonte da imagem: antifilmschool)

Não parece tão ruim assim, né? Lendo assim, não. E as atrizes não são ruins! A credibilidade é boa, as reações também são legais – nada que ganhe um Oscar, mas não são aquelas atuações que te deixa incomodado como se tivesse uma pedra de gelo escorrendo dentro da sua blusa.

O problema, acho, é o tom do filme.

Definitivamente não conseguiram acertar o tom. Tudo acontece rápido demais, é óbvio demais, tem suspense de menos e no final acaba virando uma pandeguice cômica que você fica confuso se é pra ser assim ou se estava tentando se levar a sério.

Levando em conta o enredo pesado – afinal, do ponto de vista criminal e de psicologia de assassinos, a história de Billy é bem interessante – poderia sair alguma coisa legal daí. Mas, como em House of the Dead, fiz anotações ao longo do filme e vou trazer aqui alguns dos pontos que mais me deixaram tipo “MAS QUÊ?!”

Logo de cara o filme foca em estalactites de gelo no telhado da casa da fraternidade – e eu podia APOSTAR que alguém ia morrer daquilo. Além disso, é extremamente óbvio que as estalactites são de decoração falsa.

E nos primeiros minutos já temos a primeira morte: nem sabemos direito quem é a moça e, depois de dar zoom em várias armas em potencial – uma caneta, estalactites, tesoura (daquelas de criança, mas tá valendo), abridor de vinho… – o método de assassinato é um saco de lixo na cabeça e uma canetada na cara que nem deu pra ver direito e você só fica “???”

Saudades da facada na cara de Colina Escarlate – aquela sim, meus consagradxs, é uma cena DIGNA (e amém Tom Hiddleston e Jessica Chastain por serem os atores maravilhosos que são).

Já dá até pra se sentir mais intimidada com esse olhar da Lucille em Colina Escarlate (fonte da imagem: the mary sue)

E falando em Colina Escarlate, mais um caso de pessoas presas por suas mães. Ou seja, quer assistir um terror com bom suspense, romance, sensualidade e problemas familiares? ASSISTA COLINA ESCARLATE, OBRIGADA, DE NADA.

Além disso, temos clichês sofridos nesse filme como: o assassino doido e sem personalidade, o mané rindo que nem um maníaco no hospício, a garota “legal” e “revoltada”, a santinha carola de igreja que gosta da Bíblia, o boy lixo… Você pode escolher seu clichê favorito.

Então, é no hospício que tem uma cena que eu comecei a ficar com sérias dúvidas se o próprio filme estava se levando a sério. De verdade, um cara vestido de Papai Noel entra na ala dos criminosos insanos e vai andando vagarosamente atrás do enfermeiro que está distribuindo o jantar enquanto toca uma música que parece daquelas novelas das oito quando alguém tá tentando ser sorrateiro.

Era pra ficar com medo? Era pra dar risada? Era pra ser brega? Pra ter um trovão no final de cada frase mesmo que não tivesse chuva? FILME, ME AJUDA A TE ENTENDER.

E daí temos o primeiro – de muitos – diálogo completamente pastelão e expositivo. É tão horrivelmente óbvio que é pra ser expositivo que sinceramente parece que o filme tá tirando uma da sua cara.

“Ah, espera, esse é o Billy?” “Ah, é sim, e ele SEMPRE fica de boas no Natal” “Entendi, foi porque ele matou a família inteira no Natal por causa da mãe e assou pedaços dela como biscoitos para comer em seguida.”

“Você está zombando de mim” – Sim, Vergil, é esse o meu feeling durante O FILME TODO; senta aqui e vamos ser mal humorados juntos (fonte do meme: reddit)

OBRIGADA CAPITÃO ÓBVIO.

Outra coisa: o pessoal que trabalha nesse hospício é muito estranho.

Primeiro, por falar tudo de maneira assustadora – tipo como se estivessem num episódio de Coragem, o Cão Covarde – e segundo O SEGURANÇA ENTRA NA CELA DO MALUCO E DEIXA A PORTA ABERTA.

O cara MATOU e COMEU pessoas! O mínimo que deveriam fazer é o nível de segurança estilo Hannibal Lecter!

Se eu tô surtando que nem o Vergil gritando “você zomba do meu intelecto, escória”?! MAS CLARO QUE TÔ.

É assim que você lida com um assassino que pode fazer de uma caneta a MAIS LETAL das armas. Menos John Wick – John Wick é amor (fonte da imagem: bfi)

Aí que a linha do tempo do filme começa a ficar confusa. Porque sim: eles queriam um plot twist pra fazer todo mundo ficar super chocado, mas tudo que conseguiram fazer foi confundir a galera horrores. Por que lembra que teve um assassinato logo no começo? E o cara escapou do hospício depois? Daí tem mais um assassinato em seguida e o cara nem saiu do hospício – então não dá pra entender direito o que tá acontecendo.

Até o filme contar a história da irmã dele que simplesmente ~desapareceu~ após a tragédia.

Obrigada de novo, Capitão Óbvio, agora eu sei que a irmã tá viva e é a assassina que tá lá na casa esperando o irmão voltar.

Super difícil de sacar (insira o Vergil emburrado aqui. Novamente).

Alguns outros aspectos técnicos que me incomodaram:

  • Temos erro de continuidade! Yay!
  • Às vezes os ângulos são confusos e muito escuros, você não consegue divisar muito do que está acontecendo;
  • A trilha sonora. Minha amiga, desculpa, eu sei que foi a última trilha da compositora antes de morrer mas parece trilha sonora de filme de suspense infantil com criança sabendo que vai fazer travessura e levar uma bronca fenomenal dos pais;
  • Efeitos especiais. Tem alguns efeitos que olha, até o Dollynho consegue ser melhor, minha gente;
  • Burrice das personagens no roteiro só pra ter um motivo pra aceitarem ficar em casa sabendo que tem um serial killer doidão por lá;
  • Falta de feeling e suspense. O que isso significa? Você não sabe se é pra dar risada quando alguém morre ou ter medo. Sim, tem umas mortes meio nojinho e é um filme slasher, mas a composição em geral (atuação, músicas, edição, efeitos claramente falsos) te deixam muito na dúvida se é um humor sórdido ou se é pra levar a sério;

Daí alguns pontos que seriamente me incomodam e esse filme tá todo errado: parece que mulheres em filmes de terror só tem dois modos – vadia ou santinha.

Se for vadia, vai ser desbocada, bebe, fala palavrão e geralmente dá em cima de qualquer coisa que se mova. Se for santinha, vai ser boa aluna, comportada, vai à igreja, lê a Bíblia e fala que tudo e todos estão errados.

Sabe… Mulheres têm meio termo. Fica a dica.

Ah, e também sempre tem uma clássica desculpa pra aparecer uma mulher pelada num filme de terror. Hollywood, melhore.

Outro ponto: por algum motivo do UNIVERSO, o cara nasceu com a pele amarela (literalmente) por conta de um problema no fígado, e claramente isso foi usado para deixá-lo mais monstruoso e menos humano. Usar uma doença, uma deficiência, uma condição real para caracterizar um personagem como assustador e desumano é uma COVARDIA SEM FIM. Essas coisas têm que parar de ser feitas na mídia.

Os personagens são doentes mentais e com uma doença física que altera o tom de pele. Mas, por algum motivo, eles se movem como zumbis, são mais imortais que Highlander, possuem uma força absurda (mas só quando o filme quer também), mal conseguem falar coisas que fazem sentido e são basicamente monstros, nem humanos mais.

Psiquiatra brilhantíssimo de dia e assassino canibal à noite – e durante refeições – Hannibal é extremamente funcional e se mistura na sociedade: dá MEDO quando ele só olha pra alguém (crédito da imagem: Brooke Palmer/NBC)

Sério. Hannibal Lecter. Tá aí um serial killer com sérias doenças mentais que não parece um zumbi doido se arrastando por aí com super força – muito pelo contrário, é um perfeito lorde silencioso te julgando com o olhar. Por mais personagens assim – e não estereótipos bobos que fazem a sociedade ter mais preconceito com pessoas diferentes, principalmente fisicamente.

Por fim, as pessoas que morreram são levadas para o mesmo Hospital que estão atendendo as vítimas vivas – por quê? CONVENIÊNCIA PRO ENREDO, SÓ POR CAUSA DISSO.

E os irmãos Highlander acordam após se fingirem de mortos, correm atrás das duas sobreviventes, matam uma delas da maneira mais anticlimática e besta possível que te faz ficar com raiva de um mulherão daqueles ter sobrevivido tudo aquilo pra morrer daquele jeito, e daí quando a outra aperta o botão de Emergência desesperadamente, a galera do Hospital tá distraída ouvindo um coro de Natal e ignora o chamado.

Você sabe quando isso aconteceria num hospital de verdade? Jamais. Não é à toa que funcionários de saúde não têm vida.

E não vou dar spoiler de como essa doideira natalina termina – só posso dizer que é por morte por árvore de Natal.

É ruim? É. Eu não tinha ideia se era pra levar a sério ou não. As mortes são por burrice atrás de burrice das personagens, os assassinos parecem aqueles de filme pastelão da sessão da tarde e parece que toda hora que alguém acaba de falar, vai trovejar e uma risada do mal reverberará por todo o Universo.

Minhas reações durante o filme todinho podem ser resumidas em somente um GIF:

Sim, eu odeio esse homem, mas tenho que admitir que ele é meu espírito animal inteirinho (fonte do GIF: pinterest)

Quer Assistir?

Não recomendo. Mesmo.

Mas se você quiser se aventurar nesse Natal em um filme trash e despretensioso que vai te fazer dar risada, eis essa obra magnífica no Youtube:

Filme dublado

Conhecida na Lua como Artemis, meu nome aqui na Terra é Kadine. Considero que sou de Serra Negra – sou ariana com ascendente em escorpião. Interessada em tudo que é artístico, tenho um fraco para pesquisar coisas obscuras! Desbravadora de museus, compro mais livros do que consigo ler, interessadíssima em outros idiomas e culturas, colecionadora de chás e canecas, escritora nas horas vagas e gamer noturna para passar raiva com invader em Dark Souls (e relaxar com Devil May Cry ou Resident Evil).