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Little Nightmares II: De Volta Aos Pesadelos com Six e Mono!

E durante essa semana tivemos o lançamento de um dos jogos mais esperados de 2021 – na minha opinião, pelo menos – trazendo de volta o mundo assustador e melancólico de Little Nightmares!

Com uma continuação que, na verdade, é uma prequel – ou seja, com uma história antes da contada no primeiro jogo – Six está de volta em sua capa de chuva amarela, mas agora com Mono, o real protagonista dessa edição.

Trailer do Jogo

Hoje resolvi trazer um pouco do jogo e o que achei da história! Infelizmente, não tive a oportunidade de jogar ainda – meu budget pra jogos é bem apertado, perdão – mas obviamente vi gameplays inteiras porque não conseguia me aguentar. Quer saber se vale a pena?

Então me dê a mão, pois hoje nosso trem lunar vai seguir Mono e Six silenciosamente pela Pale City, tentando sobreviver nesse mundo sombrio e impiedoso.

Sobre Little Nightmares

Capa do Jogo (fonte da imagem: wikipedia)

Lançado em 11 de Fevereiro (12, em alguns outros lugares), Little Nightmares II é um jogo da Tarsier Studios, publicado pela Bandai Namco, do gênero de Terror em plataforma/puzzles – com uma carinha de 2D, mas, na realidade, um jogo 3D. E você tem que lembrar disso enquanto estiver jogando.

Lançado em Abril de 2017, o primeiro jogo de Little Nightmares conta a história de Six à bordo do navio chamado The Maw, um local onde coisas terríveis acontecem com crianças, principalmente para servir o banquete aos convidados que vão para lá justamente por conta disso. O jogo conta também com três DLCs: The Depths, The Hideaway e The Residence – com outro personagem principal ao invés de Six, porém que se conecta com a história dela.

Já em Maio de 2019, a ALIKE Studios e a Bandai Namco lançaram o Very Little Nightmares: um jogo mobile, para Android e IOS, com uma história que se conecta à história de Six. Dessa vez se passando em uma mansão chamada The Nest, seguimos uma garota que usa o mesmo casaco de Six no primeiro jogo, tentando escapar de uma mansão na qual crianças também encontram destinos aterrorizantes nas mãos de personagens bizarros que – ao que tudo indica – gostam de transformá-las em bonecos.

Imagem promocional do jogo (fonte da imagem: Bandai Namco)

Além disso, há uma série de comics do mesmo universo, publicadas pela Titan Comics em 2017. Nelas, vemos outras crianças compartilhando suas histórias horríveis entre si – mostrando que os horrores do mundo de Little Nightmares não se limita somente às experiências de Six. A série conta com dois volumes, sendo que os volumes 3 e 4 foram cancelados, deixando, assim, algumas histórias abertas e pontas soltas.

Em 2021, além do lançamento do segundo jogo, também foi lançado um app digital chamado Little Nightmares Comics pela Plast!ek, contendo 6 episódios que contam mais sobre as histórias de Mono e Six, lançados logo antes do jogo para complementar a história do mesmo.

Enfim, Little Nightmares II segue Mono em sua aventura por uma floresta, na qual ele encontra Six trancada em uma sala e a liberta, formando assim uma parceria testada pela terrível Pale City. A cidade se encontra aparentemente abandonada, influenciada pelas transmissões da Signal Tower de uma agência de TV – mesmas transmissões que assombram Mono, que pode controlar e mergulhar nelas.

Little Nightmares II

Aqui vou falar um pouquinho dos cenários dos capítulos principais do jogo – A Floresta, A Escola, O Hospital, A Cidade e A Torre de Transmissão – além das mecânicas e o que achei do jogo. Não se preocupe! Qualquer spoiler, deixarei um aviso em letras GARRAFAIS para não estragar sua experiência no jogo!

Pretendo deixar os spoilers para o finalzinho do post, então não se preocupe muito com isso!

Primeira coisa: Mono e Six podem andar de mãos dadas, é a coisa mais fofa, por favor seja um ser humano decente e segure a mão da sua amiguinha toda vez que conseguir, porque é uma das poucas coisas que te deixa com o coração quentinho nesse jogo que é só melancolia e desolação.

Em quesito de jogo em si, a desenvolvedora realmente foi além do primeiro jogo, trazendo mais puzzles, além de alguns momentos de tirar o fôlego e cenas de terror que realmente parecem ter saído dos piores pesadelos. O que achei mais interessante, entretanto, é a jogabilidade “co-op” entre Mono e Six!

Se é a coisa mais fofa? Sim. É a coisa mais fofa. (fonte da imagem: Youtube)

O que eu quis dizer com isso, então?  O jogador controla Mono, enquanto Six o segue – exceto em alguns momentos em que é obrigatório jogar sozinho – porém algumas coisas só é possível fazer em dupla. E não necessariamente tudo em dupla: Six tem autonomia suficiente para seguir pelos caminhos sem precisar se preocupar, além de muitas vezes ajudar segurando inimigos, abrindo locais para escapar ou carregando coisas sem que o jogador tenha que “pedir” para que ela o faça.

Amém a Inteligência Artificial desse jogo que é realmente boa. Quantas vezes eu já sofri com NPC que teoricamente tem que ficar junto com você, mas acaba sendo só uma cenoura que fica lá parada enquanto o circo pega fogo?

(Sim, Ashley, eu e o Leon em RE4 estamos olhando para você. Além disso, a mulher no The Witcher 1 que pediu que eu escoltasse ela de volta pra vila com uma pá de cachorro do inferno correndo atrás da gente cuspindo fogo e só Geraldão pra lutar com tudo aquilo e a criatura me fica parada que nem um PASTEL até morrer. Eu nunca fiquei tão TRISTE com uma missão. CORRE NÉ AMIGA, GERALDÃO TÁ FAZENDO SUA PARTE, FAÇA A SUA!)

Ok, eu precisava desabafar. Continuemos.

Como falei antes, é importante lembrar que apesar do aspecto 2D, o jogo possuí profundidade. Ou seja, sempre explore também para frente e para trás do cenário, não somente correndo para os lados. Little Nightmares é cheio de locais secretos e easter eggs. É explorando que se encontra todos!

Além de que você pode encontrar vários chapéus ao longo do jogo e mudar o que Mono está usando, o que achei uma graça.

Tudo que esse jogo tem de horrível, tem de fofo ao mesmo tempo (fonte da imagem: IGN)

Na Floresta, Mono e Six tem que fugir e enfrentar O Caçador – que supõe-se que tenha sequestrado/prendido Six, já que o jogador encontra com ela na casa do inimigo em questão. É aí que entra as jogadas stealth que já vimos nos jogos anteriores para evitarmos que os inimigos nos encontrem, coisa que continua até o fim do jogo e contribui para aquela sensação de meu santo Cristo redentor, esse troço vai me ver, vai me pegar e me destroçar.

Seguindo para Pale City, o primeiro capítulo que temos é A Escola. Tenho que admitir que me deu um pouco de desespero assistir – todos que tiverem ansiedade social e períodos difíceis na escola acho que vão se simpatizar com esse feeling – pois o local é habitado por diversas crianças encapetadas, além da inimiga principal: A Professora (sim, a tia do pescoço. Pra quem já estava acompanhando e viu algumas coisas do jogo, sabe do que eu tô falando. Quem ainda não viu, boa sorte e não morra do coração a primeira vez que ela aparecer).

É aí que surge a mecânica de combate que vemos no trailer: Mono consegue carregar objetos mais pesados – como machados, canos, martelos e etc. – para lutar contra as crianças, feitas de porcelana, e evitar que ele e Six acabem machucados. Tudo isso enquanto fugindo da Professora.

A área que segue é O Hospital, na qual os jogadores eventualmente encontram O Doutor e suas criações horríveis. Se você é que nem eu e tem medo de escuro, prepare-se porque esse lugar é sim seu pior pesadelo. Sim, com uma mecânica que envolve jogos de luz e escuridão, é preciso tomar cuidado com as coisas criadas pelo Doutor, que gostam particularmente de escuro. A lanterna é sua melhor amiga.

Se eu fiquei com medo? Minha alteza, só durmo com uma luzinha acesa, me respeite (fonte da imagem: ms power user)

Se eu estivesse jogando, provavelmente desistiria no meio do caminho e chamaria alguém pra jogar comigo – mesmo que fosse só para apoio moral. Mas é aí que é possível começar a conectar um pouco a história vista no primeiro jogo com o segundo jogo – apesar de que: Little Nightmares não é um jogo óbvio. Não há falas nem explicações: é preciso prestar atenção em tudo que estiver à sua volta para entender mais desse mundo.

Escapando do Hospital – reitero: pior nível na minha humilde opinião com medo da escuridão – os personagens passam pelo centro da Pale City, onde é possível ver os últimos residentes do local. Hipnotizados por TVs, não se atreva a desligar os aparelhos, a não ser que você tenha uma boa estratégia para tanto.

É aí que entra o antagonista principal do jogo, conhecido como Thin Man. Saído da própria televisão, ele persegue Mono e Six pela cidade, podendo se teleportar em algumas situações. Mas tudo complica quando algo inesperado acontece e a única opção de Mono é seguir até a Torre de Transmissão, enfrentando Thin Man e talvez coisas mais terríveis do que ele tinha imaginado.

A Torre de Transmissão tem uma pegada meio Labirinto – para quem já assistiu, aquela cena que o David Bowie canta Within You em uma sala cheia de escadas e sem sentido/gravidade algum, baseada nas artes do incrível Escher – cheia de escadas, loops, teleportes, ecos, pouca gravidade… Minha dica é: sons são importantes nessa parte, então preste atenção.

Um dos momentos mais interessantes do jogo! (fonte da imagem: gamepur)

Vale a Pena? Eu acho que vale muito a pena. O estilo do jogo é o que o faz ser sensacional: a arte é maravilhosa, o clima é definitivamente tenso, os personagens são fofos e cativantes, a história é complexa e misteriosa, com várias aberturas para teorias e discussões.

E, mais importante, durante todo o tempo, o jogador vai se divertir. Se jogos de terror são seu tipo, com uma pegada mais melancólica e voltada para históriatipo Ori and the Blind Forest, sabe? Não estilão Outlast frenético e realista, mas algo mais… Artísticodê todas as chances do mundo pra Little Nightmares II!

Importante lembrar, porém, que é um jogo de terror. Então toca em assuntos complicados, como suicídio e violência, além de imagens gráficas típicas do gênero, como experimentações em sujeitos vivos e etc.

ATENÇÃO: Spoilers Importantíssimos Abaixo! Prossiga Só Se Você Conhece o Jogo!

Todos sabemos que as histórias de Little Nightmares são trágicas e geralmente nos deixam com o coração partido ou com um gosto amargo na boca.

Little Nightmares II não é diferente.

O Thin Man sequestra Six e a leva para a Torre de Transmissão, sendo que, quando o jogador consegue descobrir seu caminho por todo aquele labirinto, encontra Six completamente deformada e monstruosa – sendo ela o último boss que Mono tem que enfrentar. Apesar disso, tudo que ele está fazendo é para salvar a mais nova amiga.

Mas, o que acaba com todo mundo, é que no final, Mono pula uma ponte quebrada ao meio, segurando na mão de Six para finalmente escaparem – como acontece muitas vezes durante o jogo, sendo que ela sempre puxa Mono para cima – mas ela solta a mão de Mono, abandonando-o no terrível mundo dentro da Torre de Transmissão.

Então, o jogo nos mostra que Mono é Thin Man, envelhecendo em sua cadeira na Torre até se tornar a terrível criatura que arrasta Six até lá. Em um Final Alternativo, que é possível conseguir coletando todas as Glitch Children pelo jogo (por isso falei para explorar TUDO que conseguir), Six sai de uma televisão, encontrando Shadow Six – criada após ser levada à Torre – que olha para um panfleto com a imagem do The Maw, o navio do primeiro jogo. É assim que as histórias se conectam.

E pra quem não vai jogar mas quer ver a gameplay, aqui está o primeiro ep. do Alan – você pode achar os próximos no canal dele! (Sim, eu panfleto ele direto aqui, sou realmente fã do canal)

A partir daqui, é só teoria. Mas vou entrar nessa, pois tenho minhas opiniões e gostaria também de ouvir as de vocês!

O que li por aí, é que Mono está preso em um loop temporal – já que Thin Man vive em uma Transmissão, atravessando Passado, Presente e Futuro – e sempre que ele aparece, vai atrás de Six, pois ela é a culpada por ele ter sido abandonado na Torre de Transmissão e se tornado o Thin Man, tentando poupar Mono daquele terrível futuro, livrando-se de Six que o condenou àquele destino.

Acho bem razoável. Mas pensei um pouquinho mais em relação ao motivo de Six ter largado a mão de Mono – afinal, durante TODO o jogo, ambos se ajudaram e ela nunca pareceu ter a intenção de machucá-lo; muito pelo contrário: pareciam amigos.

Então, por que Six soltou Mono?

Minha opinião aqui depois de pensar sobre isso. Como Tempo parece ser relativo na Torre de Transmissão, não sabemos quanto tempo a Six permaneceu lá dentro para ficar daquela maneira. Também não sabemos pelo que ela passou para estar deformada e aparentemente traumatizada. Eventualmente, ela saberia que Thin Man é Mono. E, quando eles estavam escapando, Six sabia que Thin Man era Mono e que ele a tinha feito passar por tudo que passou na Torre de Transmissão – apesar de não saber o motivo, pois para ela, até aquele momento, eles eram amigos – então o largou em vingança. Afinal, sabemos que Six pode muito bem ser cruel sem remorso algum – principalmente com quem fez maldades com ela.

Ou seja: tudo não passa de um mal entendido trágico em que dois amigos foram afetados por loops temporais. Essa é a minha teoria e o que eu entendi após ver o jogo – qual é a sua?

(fonte da imagem: god is a geek)

Conhecida na Lua como Artemis, meu nome aqui na Terra é Kadine. Considero que sou de Serra Negra – sou ariana com ascendente em escorpião. Interessada em tudo que é artístico, tenho um fraco para pesquisar coisas obscuras! Desbravadora de museus, compro mais livros do que consigo ler, interessadíssima em outros idiomas e culturas, colecionadora de chás e canecas, escritora nas horas vagas e gamer noturna para passar raiva com invader em Dark Souls (e relaxar com Devil May Cry ou Resident Evil).