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Lune Especial: Fake News – O Que São e Como Identificá-las!

Essa última semana no Lune Station, falamos sobre assuntos muito importantes – principalmente sobre política e organização da sociedade – então, já que estamos em época de eleição, trazemos pro especial um assunto muito em pauta: Fake News.

Você com certeza já deve ter ouvido falar das fake news, mas realmente sabe o que elas são?

Se sim, já parou para pensar como fake news afetam a sociedade para que todos discutam tanto e sejam até consideradas crimes?

E outra: você sabe como identificá-las e não cair nessa cilada?

(sim, referência à Carga Pesada, não caia nessa cilada, Bino!)

Para te ajudar com tudo isso, mais uma vez reunimos toda a Irmandade da Lua no Especial Lune a fim de tratar de todos esses pontos, para que você entenda mais sobre as tão faladas fake news!

Então entre no nosso trem e vamos aprender mais sobre esse fenômeno da sociedade atual!

O Que São Fake News?

Antes de mais nada, precisamos entender o que elas são, não é mesmo?

Então vamos lá! (e nesse momento, Art está se segurando pra não cantar a música toda de “Barbie e os Roqueiros”)

No Cambridge Dictionary a definição de fake news é:

“Histórias falsas que parecem ser notícias, espalhadas na internet ou usando outra mídia, usualmente criada para influenciar visões políticas ou como uma piada.” (traduzido por Artemis, do inglês para português)

“False stories that appear to be news, spread on the internet or using other media, usually created to influence political views or as a joke.” (original em inglês)

Fonte: Dicionário de Cambridge

Apesar de ser uma prática antiga, disseminar notícias/histórias falsas é um fenômeno que se tornou fortíssimo hoje em dia por conta das redes sociais. A possibilidade de viralização de conteúdo e a falta de checagem de fatos do lado dos consumidores desse conteúdo, faz com que as fake news sejam tão contagiosas quanto um vírus.

O problema principal observado é a sua utilização para influenciar opiniões, principalmente políticas.

Enquanto piadas, as fake news não apresentam tanto perigo – já que, por serem escancaradamente absurdas, parte-se do princípio que qualquer pessoa consegue notar que são falsas.

Esses são os casos do The Piauí Herald – que, inclusive, traz no site os dizeres “The Piauí Herald não é uma seção noticiosa, mas exclusivamente de humor, com sátiras da realidade política do Brasil” – e o famoso Sensacionalista – cuja headline é, inclusive, “isento de verdade”.

Ou seja, há claros indicativos que os assuntos lá noticiados não são verdade.

Entretanto, há diversas “notícias” pela internet circulando com o intuito de influenciar as opiniões dos leitores e isso se torna um fenômeno cada vez mais forte principalmente em épocas eleitorais – como pesquisas falsas sobre candidatos políticos que podem influenciar na opção dos eleitores.

Fonte da imagem: BBC

Digo isso, porque muitas pessoas observam as pesquisas de intenções de votos da população e acabam mudando os próprios votos para atender o viés político que lhe interessa mais.

Trazendo desinformação, o âmbito jurídico está cada vez mais preocupado em combater as fake news, preocupando-se, inclusive, em criminalizar essa prática.

Ao redor do mundo, porém, não existem leis específicas para tanto, por isso as discussões jurídicas acerca do tema estão cada vez mais frequentes. No Brasil, diversas ferramentas estão em criação, desde hipóteses mais específicas a hipóteses mais abrangentes.

Também há a questão da colisão de princípios constitucionaispelo menos no Brasil – principalmente do princípio da liberdade de expressão com a questão do Estado Democrático e possibilidade de escolher, individualmente, seu representante político no governo. Nesse sentido, acho interessante deixar a fala do Ministro Barroso:

“A democracia, por sua vez, é um conceito construído a partir da soberania popular, em cujo âmbito se situa o princípio majoritário. Assim sendo, sempre que se impede a prevalência da vontade da maioria produz-se, automaticamente, uma tensão com o princípio democrático.”

– Página 12, do artigo Tratamento Jurídico das Notícias Falsas

Para quem quer se aprofundar juridicamente no tema, sugiro a leitura do artigo “O Tratamento Jurídico das Notícias Falsas (Fake News)” por Gustavo Arthur Coelho Lobo de Carvalho e Gustavo Guilherme Bezerra Kanffer.

Enquanto pesquisava o tema, encontrei esse artigo e achei um bom lugar para iniciar os estudos de fake news ou compreender o viés jurídico – sempre procurando aprofundar-se melhor conforme essa questão evoluí.

Como as Fake News Afetam a Sociedade

Fonte da imagem: cronica global

Como vimos, com a evolução da comunicação, a circulação de notícias aumentou bastante: agora não temos apenas jornais, mas também temos internet, rádio, revistas, televisão e outras formas para que o mundo esteja a par de notícias em geral. Porém, todos nós sabemos que nem sempre essas informações são verdadeiras, correto? 

Devido à sua grande abrangência e ao crescente número de casos, atualmente o assunto ganhou proporções sendo colocado como grande importância de análise do comportamento da sociedade – não apenas pela forma que influencia no convívio e ações no meio social, mas também porque o meio financeiro também está envolvido.

Estamos cientes de que “Fake News” podem servir tanto para o bem quanto para o mal, certo? Mas estamos também cientes que, sendo qualquer um dos dois casos, pode ser que não seja favorável a nós, mas sim a quem a publicou? 

Exatamente isso que você leu: de uma forma ou outra, ela será aproveitável para alguém e, com toda certeza, será para aquele que a publicou ou disseminou. 

  • Notícias falsas tem o poder de promover a difamação de pessoas, 
  • Prejudicar a imagem de empresas, 
  • Espalhar ideias políticas

Entre outras consequências, como afetar o comportamento de um corpo social.

Não apenas vemos esse tipo de informação rondando o meio político mas também no meio social em que vivemos. Como por exemplo, informações contrárias que saem em jornais, revistas, televisões e outras mídias que podem acabar com a vida de uma pessoa em questão de minutos – sendo um exemplos mais conhecidos sobre isso da mulher que acabou sendo linchada depois de uma notícia falsa surgir a qual se tratava de sequestro de crianças para realização de rituais.

Diversos outros exemplos e situações tomam a mesma proporção

Fonte da imagem: la vanguardia

“Um estudo realizado pelo instituto de tecnologia de Massachusetts (MIT), apontou que as notícias falsas se espalham 70% mais rápido que as verdadeiras.” 

Fica claro que o interesse da sociedade pela veracidade das informações divulgadas é mínimo, sendo que essas informações são grande parte dos problemas que vivemos atualmente

Muitas vezes, as pessoas são influenciadas por títulos sensacionalistas, que as levam a compartilhá-las, fazendo com que chegue ao alcance de mais pessoas, criando então um ciclo sem fim até que se prove o contrário. 

Definitivamente, as “fake newsviraram um grande negócio hoje em diaos meios midiáticos trazem isso como um fato. Hoje em dia, pode-se ganhar dinheiro apenas com os clicks em uma notícia falsa. Como comentei anteriormente: de alguma forma, aquela notícia falsa beneficiará a alguns e prejudicará a maioria.

Fonte da imagem: watchity

A política em si, é umas das mais afetadas nessa questão. Hoje em dia temos dificuldades em realmente distinguir qual é ou não a verdadeira face daquele que estamos colocando nos cargos – que, de todas as formas possíveis, influenciam a sociedade em que vivemos. E ficará cada vez mais difícil distinguir.

Exatamente por isso que as notícias falsas devem ser IMPEDIDAS. 

Para que isso aconteça, a mudança deve vir da própria mídia: ela deve mostrar à população o que tudo isso pode causar. 

Como, por exemplo, as diversas informações que somos bombardeados assim que os períodos de eleições se iniciam. O que é verdade? O que é mentira? Quais são as opções ou provas daquilo que eles estão nos entregando? E, principalmente, a mídia deve conscientizar sobre o que compartilhamento de assuntos falsos pode causar na sociedade. 

A desinformação hoje em dia pode nos levar a danos muitos mais sérios, tanto no futuro quanto no presente. Por isso, é de extrema importância que melhoremos. É necessário que chequemos antes de divulgar, que tenhamos certeza de que aquilo que estamos compartilhando não faça mal para nós e muito menos ao nosso próximo.

Fonte da imagem: crb8

Dicas Para Não Cair e Não Divulgar as Fake News Por Aí!

Agora que já entendemos o que são as Fake News e como elas podem ser nocivas – não somente para o ciclo social ao qual estamos inseridos, quanto para a sociedade em um geral – daremos aqui algumas dicas para não cair nessa cilada e ajudar no não compartilhamento dessas notícias falsas.

Principalmente nessa época de eleições, na qual as notícias falsas rolam como água e afetam drasticamente o futuro de uma cidade, um estado ou até mesmo, toda uma nação.

Imagem simulando uma pesquisa na internet (fonte da imagem: freepik)

Dica número 1:  Talvez a mais importante e a que ajude a identificar de forma mais fácil, é conferir a fonte da informação

Como fazer isso?  

Se certifique de que a notícia veio de um veículo de comunicação que de fato trabalhe com jornalismo.

Jornais, sites, blogs, ou qualquer veículo de imprensa, sendo eles grandes ou não, tem um compromisso de apuração dos fatose, quando algum erro ocorre, afinal as pessoas por trás desses modos de comunicação e disseminação de informação são seres humanos como qualquer um e estão passíveis ao erro, eles logo se retratam – pois se passam a publicar coisas falsas, perdem a credibilidade (que é o que dá nome e voz para eles).

Veículos que espalham e alimentam fatos falsos, não se preocupam com esse tipo de coisa.

Muitas vezes, essas notícias falsas são oriundas de sites instantâneosque somem pouco tempo depois de soltarem a publicação enganosa – e outros ainda tentam simular a estrutura dos sites de jornais e revistas famosos – que, consequentemente, tem credibilidade e isso pode fazer com que a notícia pareça real, então verifique o url, e, se mesmo assim ainda achar que é uma notícia verdadeira, vá atrás da fonte original.

Verifique em outras fontes que são confiáveis e tenha certeza: se só apareceu em um site, seja ele suspeito ou não, então as chances de serem falsas é enorme!

Fonte da imagem: google user content

Dica número 2: Se mesmo depois de ir atrás da fonte original sentir que a notícia pode não ser verdadeira – afinal, tendemos a acreditar em informações que vão de encontro com o que acreditamos, então não é fácil sair de nossas bolhas sociais e ideológicasutilize sites de checagem (fact-checking).

Algumas empresas e veículos de imprensa hoje trabalham com o sistema de fact checking – que nada mais é do que a checagem dos fatos; e isso é uma iniciativa muito importante, principalmente na era digital em que vivemos. 

Vamos listar aqui alguns veículos de checagem abaixo:

Agência Lupa https://piaui.folha.uol.com.br/lupa/ (Verifica a veracidade de frases que contenham dados históricos);

Aos Fatos https://www.aosfatos.org/ (Acompanha declarações de políticos e autoridades de âmbito nacional);

Uol Confere https://noticias.uol.com.br/confere/ (Uma iniciativa do UOL para checagem e esclarecimento de fatos);

Fato ou Fake https://g1.globo.com/fato-ou-fake/ (Chegagem de notícias falsas, fatos e informações, verdades e mentiras na internet);

Projeto Comprova – https://projetocomprova.com.br/ (O Projeto Comprova reúne jornalistas de 28 diferentes veículos de comunicação brasileiros para descobrir e investigar informações enganosas, inventadas e deliberadamente falsas sobre políticas públicas compartilhadas nas redes sociais ou por aplicativos de mensagens);

E-Farsas https://www.e-farsas.com/  (Com a intenção de usar a própria internet para desmistificar as histórias que nela circulam);

Fonte da imagem: cdlflorianopolis

Dica Número 3: Desconfie das informações que recebe em grupos ou conversas por aplicativos de redes sociais.

Uma mensagem, seja com link que te mande para outro site ou somente no corpo da mensagem, é o maior indício de que a notícia é falsa.

Sabe aquela mensagem que sua tia manda no grupo da família, ou seu tio encaminha para todos os contatos com informações diversas, principalmente sobre doenças ou políticos?

“Ministro interino da saúde, Eduardo Pazuello disse: “atestado de óbitos não poderão mais notificar “suspeita de Covid-19”. Terão que fazer contra-prova e constar apenas com o devido resultado positivo, a farra vai acabar.”” – Mensagens  como essa, que é uma fake news, sobre informações do Covid-19 já foram e vem sendo espalhadas cada vez mais pelas redes sociais, por isso é importante comprovar e procurar fontes confiáveis para se informar da forma correta!

Fonte da imagem: Ministério da Saúde

Recebeu alguma mensagem sobre qualquer informação em forma de corrente ou sem um url confiável? Desconfie e procure informação similar em fontes de informação confiáveis.

Imagem feita por Hekate (pode ser utilizada com os devidos créditos)

Dica Número 4: Nunca compartilhe uma informação que você não tem certeza da veracidade.

Tenha em mente que as fakes news se espalham e tomam força pelo compartilhamento: não basta somente não cair em notícias falsas, o combate a essas informações é essencial.

Pessoas com más intenções a fim de preocupar ou privilegiar pessoas ou casos, soltam essas informações falsas e usam dos mecanismos de compartilhamento e redes sociais para que cada vez mais pessoas leiam e acreditem em informações que podem afetar a vida de tantas outras. Então, quando julgar ser uma notícia falsa – ou se ela não tiver uma fonte confiável – não propague: não contribua com essa prática!

Principalmente nessa época de pandemia e eleições (e em todas as informações e momentos que receber notícias falsas também) não acredite em tudo que chegue até você. Pesquise, procure por fontes confiáveis, questione fontes e procure por maiores informações!

Vamos fazer do mundo um lugar melhor fazendo nossa parte!

Semana Sobre Política e Organização da Sociedade no Lune Station

Conforme mencionamos antes, usamos essa semana para tratar sobre alguns assuntos mais sensíveis – sempre usando como base mídias que podem nos ajudar a entender tudo de maneira menos didática e mais interessante!

Sendo assim, ficam abaixo os posts dessa semana, sobre três filmes com temas polêmicos, porém de suma importância, caso haja interesse na leitura:

Pipoca Lunar: Elysium – Futurista, Porém Atual, por Artemis

Pipoca Lunar: Snowpiercer – Em Qual Vagão Você Estaria?, por Hekate

Pipoca Lunar: V de Vingança – Quem é Você Por Baixo da Máscara?, por Selene

Composta por Artemis, Selene e Hekate, a Irmandade da Lua compõe as fundadoras e redatoras do Lune Station – trabalhando diligentemente com os coelhos lunares para sempre trazer o melhor conteúdo!