Lune Records

Lune Records: Paulinho da Viola, Do Choro, Do Samba, Do Brasil!

Essa semana foi uma semana que eu desejei muito que acontecesse no nosso cronograma, aqui no QG da irmandade da lua. Não só pela a música ser uma das minhas coisas preferidas do mundo, mas por poder falar de uma parte – se não a mais importante – uma das, que são as composições e seus compositores.

A arte de compor, não nasceu com todo mundo – como eu sei disso? Eu mesma já me meti a besta de tentar e foi só choro e decepção (ok talvez Marília Mendonça gostasse das minhas letras de dor e sofrimento) – então, nada mais justo que celebrarmos o dia do compositor, com a semana dele aqui no Lune Station.

Eu, Hekate, estou honrada por ser a primeira essa semana, e eu tenho uma lista I M E N S A de bons nomes pelo mundo inteiro que eu poderia citar aqui hoje, daí eu pensei, repensei e um nome não saia da minha mente, desde que o tema ficou em pauta.

Porque falar dele, não é só falar dele em si, é falar de carnaval brasileiro, de samba de raiz, de choro e de grandes nomes na indústria fonográfica brasileira! Senhoras e senhores, meninos e meninas, moças e rapazes, com vocês: Paulinho da Viola.

O Samba de Paulinho.

Paulinho da Viola – Fonte da imagem: O Globo

Paulo César Batista de Faria, mais conhecido como Paulinho da Viola, nasceu no rio de Janeiro em 12 de novembro de 1942 cantor e compositor de samba e choro brasileiro, violonista, cavaquinista, bandolinista, também é conhecido por suas harmonias impecáveis e sua voz de tom suave e gentil.

Nascido no bairro do Botafogo, é filho mais velho de Paulina Batista dos Santos e do violonista Benedito Cesar Ramos de Faria, que foi integrante da primeira formação do grupo de choro, “Época de Ouro“. Por pertencer a uma família de classe média do meio musical, Paulinho teve a oportunidade de conhecer e conviver efetivamente com grandes nomes do choro da época como Pixinguinha (de quem eu sou extremamente fã, e ele é compositor de uma das minhas músicas nacionais preferidas), Dilermando Reis (que é considerado por muitos como o violonista mais influente do Brasil), entre outros grandes nomes.

Paulinho adolescente, tocando violão – Fonte da Imagem: Jornal Opção

Desde pequeno, sempre gostou de ouvir samba e choro, nas reuniões que seus pais davam, ele sempre observava o modo como os artistas tocavam e se portavam, perante à música e melodia. Aos 15 anos começou a aprender tocar violão sozinho, e mesmo contra gosto do pai, que não queria que o filho seguisse na carreira de cantor, deu um violão, para que o filho conseguisse praticar mais e pelo menos naquele momento usar como distração.

Nessa mesma época, começou a se envolver com o carnaval e com um grupo de amigos, organizou o bloco carnavalesco: Foliões da Rua Anália Franco, para representar a rua onde a tia, cuja casa, costumava freqüentar aos finais de semana e conseqüentemente, conseguia mais liberdade para sair à noite. Nessa mesma época, começou na ala de compositores da escola de samba União de Jacarepaguá e por lá conheceu sambistas renomados como Jorge Mexeu e Cantoni.

Em 1962, enquanto atuava como cavaquista, compôs a canção “Pode ser Ilusão”  que foi um de seus primeiros sambas.  

Paulinho da Viola, Hermínio Bello de Carvalho e Elizeth Cardoso – Fonte da Imagem: Jornal Opção

Aos seus 19 anos, enquanto trabalhava em um ramo que não tinha dava a ver com a música, teve uma conversa com Hermínio Bello de Carvalho que foi esclarecedora e a partir dali começou a freqüentar os encontros que ele fazia, conhecendo outros grandes nomes da música brasileira, como Cartola, Elton Medeiros e Nelson Cavaquinho.  E dali em diante tomou a música como projeto principal.

O início da carreira de Paulinho foi marcado pelas parcerias com os grandes nomes do cenário carioca de samba. Ele se destaca como um dos mais talentosos compositores e cantores de samba e choro brasileiros, e um ícone no quesito música popular brasileira.

As Composições mais populares

Marisa Monte e Paulinho da Viola – Fonte da Imagem: O Povo

Dentre os muitos e grandes nomes que foram intérpretes das composições de Paulinho estão: Tereza Cristina, Eduardo Gudin, Leila pinheiro, Dona Inah, Simone, Alaíde costa, Beth carvalho, Jair Rodrigues, Ângela Maria, Trio Esperança, Clara Nunes, Djavan, Marisa Monte, entre outros.

Já conseguimos perceber que suas letras são verdadeiras obras de arte, e muitas delas são bem conhecidas.

Não vou conseguir listar todas as músicas de autoria dele, então farei uma pequena lista e elas também estão disponíveis em uma playlist (criada por mim) no spotify

1. Foi Um Rio Que Passou em Minha Vida

2.  Argumento

3. Sei Lá Mangueira

4. Coração Leviano

5. Dança da Solidão

6. Onde a Dor Não Tem Razão

7. Pecado Capital

8. Meu Mundo É Hoje

9. Alento

10. Bebadosamba

Lembrando que essa lista não está em ordem cronológica e não é um ranking das minhas favoritas, as músicas foram selecionadas de forma aleatória.

Talvez dessas as mais conhecidas e consumidas popularmente, são Coração Leviano e Pecado Capital (pelo menos, aqui, nos almoços de família e reuniões com os amigos – saudades de uma aglomeração, né minha filha? – não pode faltar uma cervejinha gelada e essas duas músicas na playlist)

Essas duas foram interpretadas por vozes fortes e marcantes, populares fazendo assim com que grande parte da população que consome música brasileira as conhecer, inclusive pecado capital, foi tema de abertura de uma novela exibida pela rede globo.

(Abertura da Novela Pecado Capital, da rede globo, interpretada pelo grupo SPC)

Cada letra, verso e refrão bem pensados e com verdades que chega assustar, Paulinho da Viola é certamente um mestre, e nós brasileiros temos a honra de ter esse nome e talento como patrimônio cultural e nacional. (esse pelo menos é o meu sentimento rs!)

Os Enredos de Paulinho

Paulinho e Beth em um desfile da Portela – Fonte da Imagem: Compositores da Portela – Blogger

Em 1966 Paulinho escreveu o samba enredo para a escola de samba Portela “Memórias de um sargento de milícias” que recebeu nota máxima do júri na categoria e ajudou com que a Portela fosse campeã daquele ano.

Tempos mais tarde, escreveu “Foi um rio que passou em minha vida”, em homenagem à Portela, canção que não só foi uma ponte de reconciliação com o pessoal da Portela, por tempos antes, junto com Hermínio Bello de Carvalho, “Sei lá, Mangueira” em homenagem à Mangueira, mas também fez com que ele chegasse as paradas de sucessos dos anos 70, tocando durante um ano todo nas rádios mais famosas do país.

Escutem Paulinho!

Paulinho da Viola – Fonte da imagem: El País

Ativo até hoje, com uma voz e talentos impecáveis, Paulinho está nas plataformas de Stream.

Spotify: https://open.spotify.com/artist/0t2xdTxRXnffsmpMamH8Ls

Deezer: https://www.deezer.com/br/artist/12459

Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCLpRwfGAh3l3QS_2uPOhGZA

É isso, essa semana ainda teremos mais compositores e surpresas incríveis para vocês, fiquem atentos, escutem um samba e usem máscara e álcool gel.

Oi, eu sou a Gabriela, mais conhecida por aqui como Hekate. Nascida e criada em São Paulo, duplamente escorpiana, apaixonada por tudo ligado à cultura pop e, às vezes, não tão pop assim. Comédias românticas, livros do Sidney Sheldon, playlists e músicos undergrounds, kpop e o Corinthians são minhas maiores paixões. Aspirante a chef de cozinha e escritora, amante de chás e de abraços.