Pipoca Lunar

Pipoca Lunar: A Teoria de Tudo e Os Desafios da Vida

Os temas que o Lune Station trouxe essa semana são claramente sensíveis, assim como o que eu escolhi hoje. Fiquei na dúvida se falava sobre o livro ou filme – e, no fim das contas, acabei escolhendo o filme (totalmente culpa da atuação excelente de Eddie Redmayne).

Hoje iremos fazer uma viagem curiosa pela vida de Stephen Hawking, um físico teórico e cosmólogo britânico, reconhecido internacionalmente por sua contribuição à ciência, sendo um dos mais renomados cientistas do século. 

Vocês estão prontos para mais uma viagem? 

Eu espero que sim, pois as portas estão se fechando e o trem já está de partida – então apertem os cintos e leiam com atenção. 

“Apenas o Tempo, seja lá o que ele for, dirá” – A Teoria de Tudo (fonte da imagem: spdm)

Sobre o Filme – A Teoria de Tudo

A Teoria de Tudo (em inglês: The Theory of Everything) é um filme britânico biográfico do gênero drama e romance, dirigido por James Marsh e escrito por Anthony McCarten. O filme foi inspirado na obra Travelling to Infinity: My Life with Stephen de Jane Hawking, que descreve seu relacionamento com o físico teórico Stephen Hawking e o desafio com a doença do neurônio motor esclerose lateral amiotrófica.

A Teoria de Tudo foi lançado nos cinemas em 2014/2015. A trama mostra as lutas, dificuldades e, ainda assim, o amor do romance que o físico teve com Jane Hawking – não mostrando sua vida científica e brilhante, mas sim sua batalha para chegar onde chegou com sua família e a doença que dificilmente avisaria quando chegasse o momento de não estar mais nesse mundo. 

Na época de seu diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica, com 21 anos, Hawking recebeu a notícia de que não passaria dos 23 – porém ele não foi apenas um desafio para a própria doença, mas a própria ciência.

Vida Privada de Stephen Hawking

fonte da imagem: elfo livre

O filme pode não contar as inúmeras produções científicas dele, mas mostra bem como o casamento de 25 anos com Jane o ajudou a sobreviver, além de também contribuir com a ciência. 

Há, porém, momentos do relato feito pela ex-mulher do físico no livro de mesmo nome, que serviu de base para o longa, e da autobiografia de Hawking, “Minha Breve História”.

fonte da imagem: spdm

No filme, um dos principais motivos para que Stephen descubra sua doença é a queda que ele sofre em frente ao campus da universidade – mas, na realidade, Hawking diz em seu livro que: “No Natal, quando fui patinar no lago em St. Albans, caí e não consegui me levantar. Minha mãe percebeu esses problemas e me levou ao médico da família”.

Ou seja, houve sim uma queda, mas não dá forma que o filme conta. O diagnóstico, sim, é fiel à história real – o que também inclui o médico apenas dar a Stephen 2 anos de vida

O filme em si, como eu já disse antes, mostra mais o lado humano de Hawking, e de todos a seu redor, do que o gênio indomável que partia dele. No filme, que parte de seu relacionamento com Jane — quem cuidou dele a maior parte do tempo de sua vida — mostra que ambos, desde o princípio, tiveram seus problemas com a sociedade que viviam na época. 

fonte da imagem: universo racionalista

No cinema, acabou sendo um pouco distorcida a cronologia dos fatos. Jane, quando se interessa por Stephen, já sabe da sua doença – como relata no livro. 

Quem assiste ao filme, acredita que ela, depois de começar a se relacionar com o cientista, descobre a condição de saúde dele através de amigos. A verdade é que os dois até mesmo já se conheciam antes disso, pois estudaram na mesma escola primária. De qualquer forma, ela o conheceu antes e depois de sua doença, não da forma que o filme demonstra. 

Ao meu ver isso fez com que o filme mostrasse um lado bondoso e forte da personagem, no qual ela não pegasse o acontecimento (descoberta da doença) já em caminho – mas sim que ela lidasse e aceitasse isso desde o começo, junto a Hawking.

fonte da imagem: hoje em dia

“Quando entrei no primeiro ano no colégio St. Albans, aos sete anos, nos primeiros anos da década de 1950, houve, por um curto período, um menino com cabelos caídos na testa e castanho-dourados que costumava se sentar colado à parede na sala de aula ao lado”, Jane cita no livro.

“Nunca conversamos, mas tenho certeza de que essa primeira lembrança é confiável, porque Stephen foi aluno daquela escola naquela época, antes de ir para uma instituição preparatória, a alguns quilômetros dali”

Jane já sabia quem Stephen era e até já havia se sentido atraída por ele. Ela cita em uma das partes do livro em como se sentiu na primeira vez que o viu:

“Mal tínhamos caminhado cem metros, quando vimos algo estranho do outro lado da rua: lá, caminhando de modo incerto em sentido contrário, estava um homem jovem, com andar desajeitado, cabeça baixa, o rosto protegido do mundo sob uma indisciplinada cabeleira castanha e lisa. Imerso nos próprios pensamentos, ele não olhou nem para a direita nem para a esquerda, nem percebeu o grupo de alunas do outro lado da rua. Era um fenômeno excêntrico para aquelas monótonas e puritanas garotas do St. Albans”, diz sobre a primeira vez que viu o físico na juventude.

“(…) continuamos nosso caminho até a cidade, mas não consegui desfrutar mais do passeio, porque, sem ser capaz de explicar exatamente o motivo, me senti desconfortável com o jovem que acabara de ver. Talvez houvesse algo sobre sua excentricidade que me fascinara, tendo em vista minha existência bastante convencional. Talvez eu tivesse alguma estranha premonição de que o veria de novo. Fosse o que fosse, aquela cena em si ficou profundamente gravada na minha mente.”

Conforme li alguns relatos sobre os dois, acabei entendendo a figura que o filme fez com que Jane tomasse: ela era jovem, inteligente e com um caminho longe à sua frente, e realmente não se reservou ou viu Stephen como alguém “diferente” ou que realmente tinha alguma doença e acabaria tornando-o dependente dela. 

Ainda assim, ela era ciente de que ele se preocupava. Não era preciso muita coisa para perceber que Stephen não podia realmente pensar na ideia de entrar de cabeça em uma relacionamento estável de longo prazo, afinal seu prognóstico assombrava sua cabeça

Mas, Stephen e Jane Hawking levantaram voo, partiram para uma relação séria somente depois do pedido de casamento que Jane descreve também como “um sussurro em um sábado à noite úmido e escuro”.

fonte da imagem: hoje em dia

De fato, a condição de Hawking sempre piorava: ele é bem reconhecido por sua voz equalizada que passou a usar depois de passar pelo processo de traqueostomia, quase entrou em coma e teve os aparelhos desligados – entre outras coisas.

Mas nunca impedindo com que ele desistisse – e obviamente seria mais difícil se ele estivesse sozinho – Hawking teve Jane para apoiá-lo em momentos como esse, mostrando com a famosa frase do filme que “Enquanto houver vida, haverá esperança”. 

fonte da imagem: entreterse

Para finalizar o post de hoje, a sociedade em que vivemos é sim cheia de problemáticas, julgamentos e principalmente preconceitosmas não quer dizer que, por ser diferente ou ter algo que “afete” seu físico ou mental, você não pode ou não é capaz.

Jane foi crucificada por muitos por acabar cedendo ao cansaço em um momento muito crítico do marido e se separando dele, mas, ainda assim, todos os anos que ambos estiveram juntos – que foram mais de 20nenhum diz ter se arrependido: cuidaram um do outro da forma que podiam, dando força um ao outro da forma que podiam. 

Hawking não deveria viver mais que 2 anos quando descobriu o diagnóstico e, mesmo assim, faleceu em 2018 com 76 anos, desafiando a própria doença

Não deixe que algo que as pessoas pensem ser diferente ou que vejam como uma dificuldade te atrapalhe a viver da forma que você merece. 

Você tem pessoas que te amam e te apoiam – e a elas você deve atenção; apenas a elas

Desafie-se. 

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It’s Lay time!!! Eu sou a Laysa, mais conhecida neste espaço como Selene. Nascida no interior de São Paulo e criada em diversos lugares. Aquariana – sim, lidem com isso! – amante de tudo ligado à cultura geral, história, idiomas, livros, playlists aleatórias, escrever e fotografias. E devo deixar claro que o cinema é a minha paixão.