Pipoca Lunar

Pipoca Lunar: Amor Por Direito – Da Vida Real Para as Telonas e Das Telonas Para a Vida Real!

Quando resolvi falar de Amor Por Direito, foi porque a temática dessa semana do site é justamente a justiça – e esse foi um dos filmes que mais me marcaram na vida.

Depois eu descobri que foi baseado em fatos reais e que inclusive tem um documentário sobre a luta dessas duas mulheresao qual eu, infelizmente, não achei em lugar nenhum aqui no Brasil para assistir.

Amor por Direito, fala sobre a luta pelos direitos civis da comunidade LGBTQIA+, no qual duas mulheres querem nada menos que ter a união aceita por lei para ter os mesmo direitos que os casais heterossexuais têm.

Por muito tempo a invisibilidade e a desigualdade social para a comunidade LGBTQIA+ (que ainda é um cenário ativo, embora alguns direitos tenham sido conquistados) massacrou sonhos, famílias e dignidade de viver e ter a liberdade de ser quem realmente é. Lutar por direitos iguais é lutar pelo direito de viver e ser feliz.

Entre as lutas pelos direitos civis pela comunidade, as mais conhecidas são:  o reconhecimento das uniões homossexuais, conquista de direitos previdenciários, combate à discriminação, adoção e reconhecimento jurídico da redesignação sexual – coisas as quais deveriam ser aplicadas a todos os seres humanos, independente de orientação sexual, cor, raça, identidade de gênero ou qualquer outro ponto que diferencia uma pessoa da outra na sociedade.

Claro que não vivemos em contos de fadas – e nem eles são essa perfeição toda que as pessoas pintam – mas quando nos unimos para fazer do mundo um lugar melhor, conseguimos mudar cenários, posições e, acima de tudo, vidas.

Da Vida Real Para os Cinemas

trailer do documentário em inglês – infelizmente só encontrei em inglês

O filme Amor por Direito – como já citado – é baseado em um documentário de 2007 de mesmo nome. O documentário mostra a luta de Laurel Anne Hester e Stacie Leigh Andree para conseguirem judicialmente que sua união fosse válida perante a justiça, para que os direitos que eram aplicados a casais heterossexuais se estendessem a elas, um casal homoafetivo.

Poster do documentário (fonte da Imagem: amazon)

Hester foi tenente da polícia do Ministério Público de Ocean Jersey, Nova Jersey – que chamou a atenção nacional com seu apelo no leito de morte pela extensão de benefícios de pensão a sua parceira.

O Documentário de 2007 foi dirigido e produzido por Cynthia Wade, que mostrou, com franqueza, toda a luta e os momentos difíceis que o casal passou – quando Laurel precisou usar de seus últimos momentos de vida para ir atrás do que deveria ser, por direito, uma coisa simples e fácil de resolver, mas que pelo preconceito e desigualdade, não foi nem um pouco fácil.

A produção levou o Oscar de Melhor Documentário de Curta-Metragem e elas – Laurel e Stacie – ficaram conhecidas mundialmente como parte importante de mais um passo na luta por igualdade, dado com sucesso!

Laurel e Stacie, na vida real (fonte da imagem: pinterest)

Amor Por Direito, O Filme!

De 2015, o filme retrata a história real – tanto o que foi mostrado no documentário, quanto nos relatos de quem viveu e viu tudo acontecer.

Trailer do filme

 A direção ficou sob os cuidados de Peter Sollett e a produção com James D. Stern e Head Gear Films. Para algumas críticas que eu li por aí, acham o filme parado demais – mas, em minha humilde opinião, como espectadora é claro – o desenrolar da trama é na medida certa ao que se quer chamar a atenção de verdade.

O filme começa contando como Stacie Andree, que é vivida por Elliot Page, que trabalha como mecânica de carros, conhece e se apaixona por Laurel Hester, vivida pela incrível Julianne Moore, uma policial com uma longa carreira na polícia que sonha com uma promoção – merecida por sinal, mas que vêm sendo prorrogada, primeiro por ela ser mulher.

Hester, a início, se envolve com Andree, e o romance flui bem, mesmo elas sendo o mais discretas possível – porque, se só por ser mulher, a promoção que ela tanto queria estava difícil de ser concedida, imagina se em uma sociedade e um ramo ao qual ela servia, totalmente machista, soubesse que ela era homossexual – suas chances reduziriam a pó.

Julianne Moore e Elliot Page, cena do filme (fonte da imagem: a escotilha)

Tudo parece caminhar bem e, mesmo elas já morando juntas, poucas são as pessoas de seu convívio que sabem que aquele relacionamento existe. Mas o cenário muda quando uma doença terminal assola o relacionamento e Laurel descobre um câncer no pulmão. Pensando nos direitos que as esposas de seus colegas homens, cisgêneros, teriam, quis lutar junto com sua companheira para garantir que ela tivesse os direitos de pensão de Hester quando descobriram que não teria mais como reverter o quadro clínico.

Junto com o ativista Steven Goldstein, vivido por Steve Carell, elas vão aos tribunais e começam um movimento em prol do amor e da igualdadepara a gente ter uma noção, o ano era 2005, tipo há 15 anos atrás, não estamos falando dos anos 90 ou 80. As conquistas que começaram com os movimentos nos anos 60 andaram a passos lentos e muito tempo depois, casais LGBTQIA+ ainda lutam por seus direitos.

Steve Carell em cena do filme (fonte da imagem: roger moores movie nation)

O personagem de Steve Carell chega na trama para balançar com a decisão da justiça – que já tinha se negado a aceitar a união estável delas como algo elegível ao benefício da pensão. O ativista leva até a cidade outros ativistas dos movimentos de igualdade e, juntamente com a força e determinação de Stacie e mais ainda de Laurel, em seus últimos momentos de vida, tornaram a luta pública e atraíram a atenção da mídia, para uma resolução mais efetiva do caso.

Outro personagem importante nessa luta foi Dane Wells (Michael Shannon), que, apesar de apresentar um histórico conservador, se tornou um dos principais militantes pelos direitos dos casais de mesmo sexo – inclusive dentro da delegacia onde trabalhou por anos como parceiro de Laurel na policia.

Gif do filme (fonte da imagem: data whicdn)

É comovente, emocional e conta mais que só um romance: conta toda uma luta de igualdade – não somente no casamento homoafetivo – mas sim no reconhecimento de igualdade perante a sociedade, de todas as pessoas, independente de qualquer característica, que em uma visão preconceituosa possa diferir uma vida da outra.

Resumindo, é uma produção emocionante – como não poderia deixar de ser, pelo fato de ter um fim trágico e ser baseada em fatos reais. Mas também nos traz certa esperança, com a vitória dos homossexuais nos EUA na luta por igualdade nesse caso e para muitos outros que se seguiram na região – claro sempre reiterando que: mesmo com boas conquistas, a igualdade é algo longe da realidade dessa nossa sociedade podre, medíocre e com o machismo estrutural incrustado.

Elliot Page e Julianne Moore, interpretando os momentos críticos da doença de Laurel (fonte da imagem: cloudfront)

A Luta Pela Igualdade

fonte da imagem: sinprodf

Uma das maiores reivindicações da comunidade LGBTQIA+ é a igualdade. Mas, dentre os muitos apelos do movimento, temos o combate ao ódio, preconceito, o aumento da visibilidade de pessoas LGBTQIA+ em todos os campos da sociedade – sejam eles na televisão, no cinema, nas passarelas, nos gramados, nas pistas de corridas, nos palcos, a frente cargos de chefia e donos de suas próprias empresas, entre muitos outros. Nos espaços que em sua enorme maioria são ocupados por homens, brancos, cis, héteros, seguidos de mulheres na mesma situação.

“Até os anos 1960, ser homossexual era crime em todos os estados dos Estados Unidos da América, exceto Illinois, até então símbolo de progressismo no mundo ocidental. Uma das maiores mentes de todos os tempos, o pai da computação, Alan Turing, por exemplo, sofreu castração química como pena do governo inglês em 1952, mesmo após trazer avanços que ajudaram no fim da Segunda Guerra Mundial.

Ao redor do mundo, várias clínicas particulares, sob forte influência religiosa, oferecem serviços que prometem uma “cura gay” para algo que não é uma doença. Ainda nos anos 2010, ter relações homossexuais é considerado crime em mais de 73 países, sendo que 13 punem com a pena de morte.”

– Informação retirada do site Stoodi

Esse texto nos mostra o quão cruel a sociedade vem sendo com a comunidade LGBTQIA+, durante muito tempo –  esses dados são baseados somente nos Estados Unidos, onde se originou a parada pelos direitos da comunidade; imagina em países mais política e religiosamente fechados a esses assuntos e aos direitos civis em um todo.

Saber dessas coisas, nos dá mais gás, sejamos nós membros da comunidade, ocupando alguma das siglas, ou somente simpatizante com a causa – que acima de tudo é uma causa pela igualdade humana – para que todos os humanos sejam tratados e tenham direitos e deveres iguais, como deveria ser o certo, desde o início da civilização humana.

Imagem da parada do orgulho LGBT em são Paulo, Brasil (fonte da imagem: miro medium)

Assistam a Amor por Direito

Como eu disse ali em cima, não achei o documentário em nenhuma plataforma no Brasil para assistir, mas se por um acaso vocês encontrarem um lugar – me avisem, aqui nos comentários – e assistam a ele!

Já o filme, podemos encontrar no catalogo da Prime Vídeo: Link do Filme

E alugando pela Looke: Link do Filme;

Ou pelo Youtube: Link do Filme

Eu mesma quando assisti, foi no corujão, de madrugada por um canal aberto de televisão aqui do Brasil.

Então dica da Hekate, como sempre, é: assistam a esse conteúdo e lutem por um mundo melhor, para que nossas crianças, e as que ainda não fazem parte desse mundo, possam viver de forma digna e o mais igualitária possível.

Oi, eu sou a Gabriela, mais conhecida por aqui como Hekate. Nascida e criada em São Paulo, duplamente escorpiana, apaixonada por tudo ligado à cultura pop e, às vezes, não tão pop assim. Comédias românticas, livros do Sidney Sheldon, playlists e músicos undergrounds, kpop e o Corinthians são minhas maiores paixões. Aspirante a chef de cozinha e escritora, amante de chás e de abraços.