Pipoca Lunar

Pipoca Lunar: Invencível – História de Sobrevivência, Resiliência e Redenção

Talvez você não saiba, mas é comemorado no dia 28 de novembro o Dia do Soldado Desconhecido. Nós aqui do Lune Station também não conhecíamos essa celebração. 

O Dia do Soldado Desconhecido é uma homenagem a todos os soldados que morreram em batalha e que nunca puderam ser identificados – forte e importante para tantas famílias que perderam seus entes queridos em guerras e batalhas e não tiveram a oportunidade de velar seus corpos.

Então, essa semana, faremos nossa homenagem a todos os soldados, incluindo os da ficção! Eu, Hekate, trago no post de hoje o filme Invencível, dirigido por Angelina Jolie e estrelado por Jack O’Connell. Com diversas indicações nas grandes premiações de cinema, é uma história inspiradora.

Embarque conosco nesse enredo de força e superação e vamos dar início a essa semana que trará ótimos títulos e indicações.

Elenco, Direção e a Inspiração do Filme

Angelina Jolie, dirigindo o filme (fonte da imagem: media npr)

O longa, que é dirigido e produzido por Angelina Jolie, é baseado no livro Unbroken: A World War II Story of Survival, Resilience, and Redemption da escritora Laura Hillenbrand, e  conta as experiências reais de Louis Zamperini – um atleta norte-americano, que, durante a segunda guerra mundial, foi capturado por japoneses.

Louis Silvie Zamperini, nascido em 26 de janeiro de 1917, na cidade de Olean, Estados Unidos, foi um  prisioneiro de guerra estadunidense da Segunda Guerra Mundial, sobrevivente da guerra, orador e atleta olímpico. Filho de imigrantes italianos, mudou-se  para Califórnia em 1919

Loius Zamperini (fonte da imagem: wikipedia)

Já no colégio, para não se meter em encrencas, foi instruído pelo irmão mais velho a entrar na equipe de atletismo a qual ele já era um atleta. No final do seu primeiro ano, ele terminou em 5º lugar no All City C-divisão (competição para crianças) de 660 jardas.

Dali em diante, o foco de Zamperini foi de se tornar um atleta olímpico e, mesmo com todas as dificuldades – por vir de uma família pobre de imigrantes que tinham mais cinco bocas, fora a dele, para alimentar – se destacou tanto que acabou se tornando atleta olímpico e disputando os Jogos de Berlim, em 1936, conquistando o oitavo lugar na prova dos 5.000 metros rasos.

Louis e o irmão mais velho (fonte da imagem: buyandhold)

O filme – que conta toda a trajetória de Zamperini desde sua infância, suas conquistas como atleta, sua ia para a guerra, sua captura pelo exército japonês e sua volta pra casa – é de uma inspiração tão forte, que até Angelina Jolie, enquanto dirigia e produzia, declarou que mudou sua vida.

“A história de Louis é extraordinária porque é como a história de todos nós. Todos estivemos naquele momento em que quisemos desistir. Mas ele decidiu a certa altura da vida que levantaria quando derrubado. E ele se tornou uma inspiração para o mundo. Quando fiquei sabendo sobre ‘Invencível’ eu amei demais. Até mesmo a leitura do livro mudou a minha vida” 

Um fato interessante sobre o elenco, foi que os atores  Takamasa Ishihara (que interpreta o cruel Watanabe) e Jack O’Connell (que interpreta Zamperini) tiveram que manter distância um do outro no set, a fim de realizarem as cenas de forma mais convincente, quanto às torturas e maus tratos que Zamperini sofreu. 

Jack O’Connell e Takamasa Ishihara  em uma cena do filme (fonte da imagem: perthnow)

Invencível, 27 Dias à Deriva e o Inacreditável

Poster do filme (fonte da imagem: angelina jolie brasil)

Como já dito, o filme conta a história de Louis Zamperini. Atleta olímpico, que vai para a guerra e, depois de um acidente aéreo, fica 27 dias à deriva no mar em um bote salva vidas com mais dois outros soldados, que eram seus amigos e, depois de sobreviver a hipotermia, fome e queimaduras pelo sol, além de quase morrer diversas vezes, é capturado como prisioneiro de guerra.

As diversas formas como Zamperini sobrevive e resiste foram o que mais me deixou tocada – claro que na vida real os efeitos de toda essa trajetória foram muito cruéis, como acontece com muitas pessoas que vivem ou viveram guerras. A força, a fé e o fato dele ter se preparado a vida quase toda para ser um atleta, ajudaram nessa resistência e luta por sua vida.

Algumas referências sobre fé e família estão presentes no filme – mas não tem tanta profundidade. O foco maior é em como ele foi uma rocha e não demonstrava nenhum sentimento maior que o desejo por permanecer vivo – e talvez tenha sido isso que tenha o deixado vivo realmente.

Dividido em quatro partes centrais da vida do ex-atleta, o filme conta sobre sua infância rebelde, na qual ele sofria bullying constantemente e roubava em troca de bebida. Então, para que ele não se envolvesse em confusão, seu irmão mais velho o levou para o time de atletismo do colégio.

C.J. Valleroy interpretando Louis Zamperini em sua fase juvenil (fonte da imagem: Universal Pictures)

Sobre sua jornada como atleta olímpico, as dificuldades que enfrentou por ser oriundo de uma família pobre, tudo o que teve que passar para conseguir treinar e chegar às tão sonhadas olimpíadas de Berlim em 1939, as conquistas como atleta e como ir para a guerra interrompeu todo esse futuro promissor no esporte.

A terceira parte, foca no acidente aéreo que sofreu enquanto lutava na segunda guerra. Junto com dois de seus companheiros, que estavam também no mesmo avião, ele sobreviveu semanas em alto mar, dentro de um bote salva vidas, e muitos eventos ali quase tiraram sua vida, como o fato de não terem alimento – e o pouco que tinham, que eram barras de chocolate, foi devorado por um dos amigos de Zamperini em uma noite, depois que ele e seu outro companheiro pagaram no sono. 

Cena do filme em que Zamperini e seus amigos ficam à deriva no mar (fonte da imagem: buyandhold)

Lutavam para manter os tubarões longe, quase morreram de desidratação e desnutrição, e isso fora as queimaduras sofridas pelos raios solares e o desespero de não saber se veria o nascer do sol novamente. Vemos a força de determinação, como a vantagem por ser um atleta, quando um dos ocupantes do bote não resiste a tudo que foi listado acima – fora as muitas outras coisas que eles passaram tantos dias à deriva.

A quarta e última parte dessa divisão no filme é quando ele é capturado por militares japoneses e se torna um prisioneiro de guerra. Conhece, então, um homem que faz tudo aquilo que ele viveu em alto mar parecer como férias no Caribe. O guarda de prisão japonês, Mutsuhiro Watanabe, tornou a vida de Zamperini miserável durante os dois anos nos quais ele ficou preso com outros homens, também prisioneiros de guerra naquele lugar.  

Cena do filme em que Zamperini é humilhado por Watanabe

Agredido e humilhado constantemente, obrigado a fazer coisas que não acreditava que seu corpo – que durante todo aquele período já tinha reduzido tanto em massa corporal, quanto em força – seria capaz de aguentar.

Quando finalmente consegue sobreviver a tudo aquilo e voltar para casa, é como se nós, telespectadores, também conseguíssemos soltar totalmente o ar dos pulmões.

O filme não recebeu a atenção que merecia, mas não é por isso que se trata de um filme ruim. Claro que, talvez, por uma outra perspectiva e desenvolvimento, alguns pontos e fluidez em momentos do filme poderiam mudar a forma com que o público e os fãs de Zamperini receberam o longa. 

Trailer do Filme

Fora das Telonas!

Zamperini e a esposa Cynthia (fonte da imagem: pinterest)

Enquanto no filme, quando ele volta para casa, a sensação que temos é que tudo fica bem, na vida real as coisas aconteceram um pouco diferentes. Claro que, com o fim da guerra e a volta de Zemperini para a casa, amenizaram o sofrimento que ele passou durante aqueles anos em que serviu como soldado – mas os monstros de toda aquela tortura o seguiram por longos anos.

Muitos sobreviventes e homens que lutaram e lutam em guerras e batalhas pelo mundo, voltam com sequelas, quando não físicas, mentais – os depoimentos e relatos sobre isso sempre me deixam extremamente triste. Afinal, poucas pessoas veem a morte e executam seu trabalho de ceifar vidas, tão perto e tão visceral, como os soldados nas guerras.

Com Zamperini não foi diferente: ele tinha sonhos e delírios com a época em que foi torturado pelos guardas japoneses, afundou-se na bebida com a intenção de não ter mais aquelas sensações por seu corpo e quase destruiu seu casamento e relacionamento familiar.

Quando sua esposa interveio naquela situação, lembrou-se da promessa que tinha feito a Deus – quando estava em alto mar, lutando pela vida – e assim o fez: virou um homem cristão, largou a bebida e viveu até seus 97 anos.

Zamperini segurando a tocha olímpica dos Jogos de Inverno, na cidade japonesa de Nagano. (fonte da imagem: blogspot)

Assistam ao Filme e Leiam o Livro

Sabemos que o livro sempre é mais completo que qualquer produção cinematográfica – seja ela uma série ou um filme – por muitos motivos, então, se você assistiu ao filme e, assim como eu, gostou da história leia: Unbroken: A World War II Story of Survival, Resilience, and Redemption, de Laura Hillenbrand!

Assista também ao filme e se emocione com essa história (atualizado em Novembro/2020):

Netflix: https://www.netflix.com/br/title/70305949
Youtube Premium: https://youtu.be/wgZ4A-ngZCw
Telecine Play: https://www.telecineplay.com.br/filme/18123

Oi, eu sou a Gabriela, mais conhecida por aqui como Hekate. Nascida e criada em São Paulo, duplamente escorpiana, apaixonada por tudo ligado à cultura pop e, às vezes, não tão pop assim. Comédias românticas, livros do Sidney Sheldon, playlists e músicos undergrounds, kpop e o Corinthians são minhas maiores paixões. Aspirante a chef de cozinha e escritora, amante de chás e de abraços.