Pipoca Lunar

Pipoca Lunar: Luta Por Justiça – Da Realidade a Salas de Cinema

Segunda semana de Dezembro e nós temos assuntos interessantíssimos para comentar com vocês nesse mês – como, por exemplo, o filme que deu o assunto do post de hoje. 

Luta Por Justiça, um filme feito com base em fatos reais, mostrando a luta dentro de um sistema judiciário falho e cheio de preconceito. Um filme forte e triste, mas ao mesmo tempo de final satisfatório – sem spoilers antes do post, prometo – uma história muito difícil de não se emocionar. 

Espero que estejam preparados! 

Vamos? 

Fonte da imagem: veja sp

“Não podemos mudar o mundo apenas com ideias em nossas mentes. Precisamos de convicção em nossos corações.

– Luta Por Justiça

Luta Por Justiça – Sobre o Filme

Just Mercy (Luta por Justiça) é um filme de drama jurídico americano de 2019, dirigido por Destin Daniel Cretton e estrelado por Michael B. Jordan, Jamie Foxx, Rob Morgan, Tim Blake Nelson, Rafe Spall e Brie Larson.

Conta a história, baseada em fatos reais, de Walter McMillian, que, com a ajuda do jovem advogado de defesa Bryan Stevenson, recorre de sua condenação por assassinato. O filme é baseado nas memórias do mesmo, escritas por Stevenson.

Verdadeiros Walter McMillian e Bryan Stevenson (fonte da imagem: jornalismo junior)

“Se conseguirmos nos olhar de perto e honestamente, acredito que veremos que todos precisamos de justiça. Todos nós precisamos de misericórdia.”

– Luta Por Justiça
Fonte da imagem: beta cp24

Luta Por Justiça teve sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Toronto em 6 de setembro de 2019 e foi lançado teatralmente pela Warner Bros Pictures em 25 de dezembro de 2019.

O filme recebeu críticas positivas e Jamie Foxx recebeu uma indicação de Melhor desempenho por um ator masculino, como um papel de apoio no 26º Screen Actors Guild Awards.

Enredo

Em 1989, Bryan Stevenson, um jovem negro formado em Direito em Harvard, viaja para o Alabama com o desejo e esperança de ajudar a lutar por pessoas que não possuem acesso à uma defesa adequada. 

Ele se encontra com Eva Ansley e funda a Iniciativa Justiça Igual (Equal Justice Initiative, organização que ainda existe), viajando a uma prisão para encontrar pessoas às quais irá prover seus serviços – pessoas que já se encontram no corredor da morte. 

Um desses é Walter “Johnny D.” McMillian, um homem afro-americano que foi condenado pelo assassinato, em 1986, de Ronda Morrison, uma jovem mulher branca de 18 anos. Stevenson examina cada parte e evidências do caso e logo entende que a condenação de McMillian é uma combinação desastrosa de racismo estrutural e um sistema jurídico não confiável.

Logo, descobre que depende inteiramente do testemunho de um criminoso, também condenado, de nome Ralph Myers – testemunho esse que não se baseou em quaisquer provas físicas, já que McMillian estava na igreja no momento que o crime ocorreu, com diversas testemunhas, sendo uma delas um policial. 

O testemunho foi contraditório e, em troca disso, uma sentença mais leve em seu próprio julgamento seria utilizada. 

Fonte da imagem: veja sp

O jovem precisa agir, então o primeiro passo que ele dá é pedir ajuda ao promotor responsável. O mesmo o dispensa sem sequer olhar para as anotações ou provas que Stevenson tinha para fazer com que o julgamento fosse a favor de seu cliente. 

O advogado então parte para seu próximo passo, pedindo ajuda ao amigo da família McMillian, Darnell, para que declare em juízo que ele estava com uma testemunha que fortaleceria o testemunho de Myers no dia do assassinato – o que causaria uma falha no caso da promotoria. 

Quando Stevenson envia o testemunho de Darnell, a polícia o prende por perjúrio. O advogado é capaz de negar as acusações de perjúrio de Darnell, mas ele é intimidado,  fazendo com que se recuse a depor a favor do amigo por medo

Com cuidado, o advogado, então, tenta se aproximar de Myers, que admite em certo ponto que seu testemunho foi trocado porque acabou sendo pressionado pelos policiais com um dos seus maiores medos: ser queimado vivo, sendo então ameaçado de ser executado por uma cadeira elétrica.

Fonte da imagem: esteria brazil

Stevenson luta para que o tribunal conceda um novo julgamento a McMillian, convencendo também Myers a dizer o que sabia como testemunha no tribunal – mas o juiz se recusa.

Sem saber muito o que fazer e pensando não apenas que deveria cumprir sua missão, mas também dar a justiça que a família merece, o jovem advogado então tenta outras maneiras de chamar atenção, de poder cumprir o que ele havia “prometido” fazer.

Ele aparece no “60 Minutes” para reunir apoio público em favor de McMillian, também apelando a Suprema Corte do Alabama. A Suprema Corte obviamente a esse ponto foi exposta o suficiente – coisas dessa magnitude devem ser controladas, por isso eles anulam a decisão anterior e concedem a McMillian seu novo julgamento.

Fonte da imagem: papel pop

Stevenson é um jovem de caráter forte – sabe que deve persistir, pois nada vem com facilidade; então, ele insiste que as acusações sejam negadas e vai atrás do promotor mais uma vez pedindo para que se junte a eles – mas o promotor se irrita e o expulsa do lugar que encontravam.

Com isso, de qualquer forma, podemos ver que o mundo mostra que para se chegar à justiça verdadeira, “Sangue, Suor e Lágrimas” são necessários e principalmente quando a classe social, cor, status – entre outras situações – não são as mesmas daqueles que a lei não condena.

Inúmeras vezes vimos que nesse mundo nem sempre querem o culpado real da situação: querem alguém para culpar

Fonte da imagem: USA today

Mas, felizmente, não foi o que aconteceu no caso de McMillian. A sagacidade e audácia de Stevenson fizeram com que no dia do julgamento, o promotor acabasse concordando em se juntar a ele em seu movimento e o caso é sim encerrado, fazendo com que McMillian se reúna com sua família novamente. 

O caso de Morrison nunca foi resolvido: apenas alguns indícios foram apontados para que a pessoa que realizou o crime fosse também um homem branco.

Fonte da imagem: kiwi the beauty

Stevenson e Ansley continuaram com seu trabalho lutando por justiça para  aqueles que não recebem apoio até os dias de hojemesmo já sofrendo ameaças por fazerem seu trabalho, nunca desistiram. Assim como McMillian nunca deixou de ser amigo do advogado que pôde tirá-lo do corredor da morte. 

Para finalizar o post, gostaria de dizer o porque eu escolhi esse filme para essa semana especial que estamos entrando. Luta por Justiça não mostra nada diferente do que muitos outros filmes – sobre o tema – mostram.

O preconceito, racismo, descriminação – entre outras coisas – mostram que a injustiça está entre nós. Não é porque essa história se passou na década de 80 que nós diríamos que isso “não acontece mais” – porque sim, acontece e continuará acontecendo se não existirem mais pessoas como Stevenson e Ansley.

Trailer do filme

O filme e a história de McMillian mostra não apenas ele: mostra também outras histórias, sendo essas de presos que também passam por uma situação como a dele – e que até mesmo são vistos como monstros pela mídia.

Como, por exemplo, um veterano da Guerra do Vietnã com estresse pós-traumático – a história de Herbert Richardson é uma das que o filme conta, entre outras de situações que deveriam ter caminhos bem diferentes dos que foram  tomados.

Mas, ainda assim, mesmo com os indícios e tudo que já foi possível ver todos esses anos, nada mudou. Quase 30 anos depois, o problema persiste – a pena de morte ainda é permitida em 30 estados norte-americanos e mais de 1.500 pessoas foram executadas nos Estados Unidos desde 1973. 

A minha pergunta é: todas elas tiveram condições de terem um Stevenson para intervir em sua sentença? 

Todos eram culpados? 

O que vocês acham? A Irmandade da Lua espera pelo seu comentário dizendo qual a sua opinião! 

“A esperança nos permite avançar, mesmo quando a verdade é distorcida pelas pessoas no poder. Isso nos permite levantar quando elas nos mandam sentar e falar quando dizem para ficarmos quietos.”

– Luta Por Justiça

It’s Lay time!!! Eu sou a Laysa, mais conhecida neste espaço como Selene. Nascida no interior de São Paulo e criada em diversos lugares. Aquariana – sim, lidem com isso! – amante de tudo ligado à cultura geral, história, idiomas, livros, playlists aleatórias, escrever e fotografias. E devo deixar claro que o cinema é a minha paixão.