Pipoca Lunar

Pipoca Lunar: O Menino Que Descobriu o Vento – Semana da Proteção à Criança

“Pense nos seus sonhos e nas suas ideias como pequenas máquinas milagrosas dentro de você que ninguém mais pode tocar. Quanto mais fé você deposita nelas, mais altas elas ficam, até que um dia elas se erguerão e levarão você junto.”

– O Menino que Descobriu o Vento

Acabamos de sair de uma semana muito divertida aqui pelo site: a Semana da Criança foi cheia de novidades e nostalgia. Isso também nos deu espaço para dizer um pouco sobre a proteção das crianças e órgãos que estão dispostos e dedicados ao bem estar e cumprimento dos direitos que existem especialmente direcionados às crianças.

Muitas ao redor do mundo passam por diversas dificuldades e, independente do que seja, muitas das vezes não encaramos como uma, vendo de fora. Porém, de alguma forma, isso trará a elas muitos danos no futuro.

(fonte da imagem: The Guardian)

Eu comentei um pouco a respeito disso em meu último post: Stand By Me (Conta Comigo), de 1986 e, caso queiram ler também, falamos um pouco sobre os órgãos que podem atuar na causa no último post especial do site:  ONU, UNICEF e Proteção à Criança.

Hoje, nesta viagem, vamos partir para um lugar que tem anos de sofrimento – incluindo fome, escassez e onde os maiores prejudicados acabam sendo as crianças.

Vocês estão prontos? 

Partiremos então para terras do oriente africano – mais precisamente para Malauí, onde uma história real nos traz muitos aprendizados.

O Menino Que Descobriu o Vento

Cartaz do filme (fonte da imagem: Wikipédia)

O Menino Que Descobriu o Vento é um filme britânico que teve seu lançamento em 2019, do gênero drama biográfico – por ser baseado em uma história real – escrito, dirigido e estrelado por Chiwetel Ejiofor (Em 2013, interpretou Solomon Northup em 12 Anos de Escravidão, pelo qual recebeu indicações ao Óscar, Globo de Ouro e Screen Actors Guild, juntamente com o BAFTA Award de Melhor Ator; essa foi sua estréia atuando na área como diretor), com roteiro baseado no livro de memórias “The Boy Who Harnessed The Wind” de William Kamkwamba e Bryan Mealer.

O filme conta a história do “pequeno” e curioso William Kamkwamba que vem de uma família de fazendeiros e vive em uma pequena aldeia vizinha de Wimbe. William é uma criança curiosa e justamente por isso passa seu tempo consertando rádios de pessoas da aldeia e também sempre está procurando por coisas “novas” no ferro velho do local com seu melhor amigo, filho do chefe da aldeia.

Embora ele seja impedido de frequentar a escola devido à precária condição de sua família para pagar mensalidades, William convence seu professor de ciências (à base de chantagem, porque ele está em uma relação secreta com sua irmã) a deixá-lo continuar frequentando sua aula e ter acesso à biblioteca da escola, onde ele aprende com outra professora sobre engenharia elétrica e produção de energia.

Todos nós estamos de acordo que a infância de uma criança não deve ser se preocupando com qual refeição deve escolher comer por necessidade de racionamento, mas durante o filme percebemos que ele e sua família são obrigados a agir dessa maneira. William, por mais que seja um gênio para sua idade – pois sempre está procurando coisas para criar ou aprender – teve momentos que sequer conseguiu alimentar seu cachorro por sua família não ter comida suficiente

Para aqueles que já viram o filme, sabem o quanto era importante a chuva para que pudessem comer e como as pessoas ficam em momentos de crises – afinal, não saber se sobreviveriam ou não, já era duro o suficiente de se encarar

(fonte da imagem: https://pin.it/5gFXn4A)

As colheitas iam mal pois se chovia, era muito e destruía o que pretendiam colher. E se não chovia, não tinham como plantar, pois, com a seca, não há o que colher.   

Como a seca trouxe a fome que levou a tumultos por racionamento do governo, que na época estava em mudança e constantemente negavam que havia uma crise no país, a família de William foi até mesmo roubada de seus já escassos estoques de grãos, deixando-os então em uma situação pior.

William sempre pensou em sua família e sempre foi dedicado a ela. Sua irmã acabou fugindo com um professor que conheceu em sua escola em meio à crise que passavam, dizendo que seria “uma boca a menos para alimentar” e ainda assim, mesmo que a família estivesse abalada e com vários fatores que apontassem que não havia saída, o garoto sabia que podia fazer algomas também sabia que teria que enfrentar obstáculos para chegar onde queria.

William foi responsável pela invenção do moinho de vento para alimentar de energia uma bomba de água elétrica que havia pego do ferro velho. Mas até chegar nesse ponto, houve muitos obstáculos. Pedir a seu pai a bicicleta que ele tinha foi um deles, lidando com o fato de que a bicicleta de seu pai era a única da vila e por isso continha um valor sentimental absurdo para ele.

(fonte da imagem: crismendonca.com.br)

Muitas dificuldades foram impostas a William como podemos observar – sem dúvidas existem milhares de situações parecidas ao redor do mundo, talvez não nas mesmas condições, mas situações na qual crianças especiais, assim como ele, são impedidas de continuar seus estudos por não poder pagar, por ter que trabalhar desde cedo para ajudar a famíliaou até mesmo que são obrigadas a trabalharcrianças que não podem desenvolver sua criatividade ou não são ajudadas em vários outros aspectos

Resolvi trazer esse tópico no post de hoje, pois ainda é presente em nossa sociedade. O quanto o trabalho infantil ainda é grande nos dias de hoje, em nosso mundo e, principalmente, como ele é presente em nosso pais é chocante – ou talvez não. 

Trabalho Infantil

“De acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PnadC), em 2016, havia 2,4 milhões de crianças e adolescentes de cinco a 17 anos em situação de trabalho infantil, o que representa 6% da população (40,1 milhões) nesta faixa etária.” 

Relembrando que “Trabalho infantil refere-se ao emprego de crianças em qualquer trabalho que priva-as de sua infância, interfere na capacidade de frequentar a escola regularmente e considerado mentalmente, fisicamente, socialmente ou moralmente perigoso e prejudicial.” 

O que muitos às vezes creem, é que as questões internas que o filme traz sobre crianças serem obrigadas a trabalhar ao invés de estudarmuitas das vezes não por obrigação mas por dever familiar, como o de William que precisava ajudar a família arar o campo entre outras coisas, já que seu pai, de início, não entendia que ele poderia ajudar de outra forma – não se encaixam em nossa realidade de hoje em dia.

Pois bem, essas pessoas estão completamente enganadas.

Não é apenas o trabalho infantil que continua a mesma coisa, com a existência de crianças que precisam trabalhar para ajudar no sustento da família entre outras situações – perdendo sua infância por completo pois acabam precisando crescer rápido demais, encarando a realidade cedo demais – mas a quantidade de crianças fora das escolas também atinge números absurdos.

“Cerca de 263 milhões de crianças e adolescentes estão fora da escola, segundo levantamento divulgado pela UNESCO. Isso significa que uma em cada cinco pessoas com até 17 anos não frequenta uma instituição de ensino. Isso significa que um em cada três adolescentes não estão tendo a oportunidade de estudar como outros.”

(fonte da imagem: saibamais.jor.br)

O diretor Chiwetel Ejiofor faz deste caso real um exemplo sobre a importância dos estudos e o que eles trazem – como estudos da ecologia, de políticas humanitárias e do senso de comunidade

Li um comentário sobre o filme uma vez e que ficou marcado em minha mente. Neste a pessoa citava algo sobre o garoto, William, nunca estar representando a ele mesmo, mas sim um propósito, algo muito maior: a importância da existência de escolas, da união de não somente uma família mas também de um povo, da luta contra as opressões – que para mim foi mais do que claro quando o chefe de vila tentou representar a dor de seu povo em um evento do governo e acabou pagando por suas palavras – também a importância do respeito ao próximo, a dor que o este está sentindo e muitas outras questões. Por esta razão, a história acaba sendo algo muito forte para cada um que assiste ou lê o livro.

A viagem de hoje pode não ter sido tão divertida, mas eu espero que vocês possam notar que neste mundo em que vivemos existem diversas situações e em algumas delas podemos fazer algo. Existem ajudas que podem ser enviadas, existem doações a serem feitas, existem trabalhos voluntários que podem ser realizados na comunidade – mesmo que não seja em outro país: se a sua comunidade precisa e você está disposto ajudar, ajude! 

Nesse mundo existem diversas formas que podemos estar presentes para o próximo. Por menor que seja uma ação, no futuro ela pode se transformar em um enorme impactoassim como William, um garoto de 13 anos que ajudou seu vilarejo no momento em que eles mais precisavam. 

Eu duvido que não existem crianças no local de onde ele veio que não querem ser iguais a ele. 

“Independentemente do que você quiser fazer, se o fizer com todo o seu coração, vai acontecer.”

– O Menino que Descobriu o Vento

Para finalizar esse post, deixo o Trailer do filme para que possam ter uma ideia melhor do que se trata.

Trailer Legendado do Filme O Menino Que Descobriu o Vento

Gostaria de agradecer a você que chegou até aqui. Espero que tenha lido e refletido com este post que existem diversas situações que crianças e adolescentes podem estar enfrentando neste momento e não deveriam. Espero que tenham refletido que sempre existe uma forma de ajuda também: ajude sua comunidade se você puder, ajude da sua forma e, se for preciso, se você encontrar uma criança que está sofrendo, perdendo sua inocência, perdendo sua infância por alguma situação que você se vê obrigado a interferir, ajude denunciando

Nenhum tipo de ato contra uma criança deve passar despercebido. 

Existem situações em que é necessário usar sua voz. 

Espero que tenham gostado do post – nós da Irmandade da Lua esperamos sua opinião a respeito! Deixe aqui seu comentário dizendo se você gostou também e até a próxima viagem. 

It’s Lay time!!! Eu sou a Laysa, mais conhecida neste espaço como Selene. Nascida no interior de São Paulo e criada em diversos lugares. Aquariana – sim, lidem com isso! – amante de tudo ligado à cultura geral, história, idiomas, livros, playlists aleatórias, escrever e fotografias. E devo deixar claro que o cinema é a minha paixão.