Pipoca Lunar

Pipoca Lunar: Snowpiercer – Em Qual Vagão Você Estaria?

Quando eu penso em classificação de desigualdade social, Snowpiercer vem logo à minha mente. É claramente uma visão, quase que desenhada, da sociedade em que vivemos atual e globalmente

Poster do filme (fonte da imagem: nsv mundo geek)

Um trem, no qual as pessoas são divididas por suas classes sociais, as quais os mais poderosos ocupam os primeiros vagões e os menos os últimos, contando até mesmo com alguns vagões que são “esquecidos” pelos outros ocupantes – que são aqueles que não tinham dinheiro para embarcar na “arca da salvação” que foi construída por pessoas brancas e absurdamente ricas.

Nada novo sob o sol da desigualdade social, não é mesmo? Onde vidas são constantemente medidas por bens materiais e dinheiro para se safar de penalidades e cumprimento de leis.

Esse é um assunto que nós, enquanto jovens adultos na sociedade – pelo menos nós aqui do Lune – simplesmente não podemos fechar nossos olhos e fingir que tudo é um grande festival de música ao vivo. Só aqui no Brasil, conseguimos ver a desigualdade desenhada, quando passamos em bairros que um muro (isso mesmo: tijolo, pedra, areia e cimento) divide os condomínios de luxo das grandes favelas.

Onde o rico, de família influente, que dirige alcoolizado causando um acidente é liberado sob fiança – quando há algum tipo de condenação. Enquanto o pobre, que muitas vezes não conhece nem seu descendente, é preso – pegando anos de prisão – por tentar suprir as necessidades básicas ou, às vezes, só por estar na hora errada no lugar errado.

Ok, eu prometo que vou com calma quanto às minhas revoltas sociais.

Esse é um post para enaltecer e disseminar esse trabalho magnífico – tanto o filme dirigido por Bong Joon Ho (vencedor do oscar por Parasita – outra crítica social magnífica), quanto a série, protagonizada pela maravilhosa  Jennifer Connelly.

Vamos embarcar juntos nesse trem (primeira vez neste blog em que literalmente o assunto se passa dentro de um trem – risos) e conhecer mais sobre as divisões e subdivisões nessa viagem que promete garantir vida, mas não consegue lidar com o básico da sobrevivência.

Sejam Bem Vindos (ou não) ao Majestoso Snowpiercer!

Capa da comic (fonte da imagem: amazon)

A base, tanto para o filme quanto para a série exibida pela Netflix, é de uma série de graphic novels pós apocalípticas francesa: Le Transperceneige (ou em português: O Perfuraneve), criada por Jacques Lob e publicada entre os anos de 1982 e 1983

O filme com o título de Snowpiercer (traduzido para o Brasil como: Expresso do Amanhã), teve seu lançamento em 2013, sob a direção do já citado nesse texto Bong Joon Ho – que é sul-coreano, sendo que essa foi sua primeira direção para um filme totalmente em inglês. Um excelente diretor e roteirista, principalmente quando a temática é a desigualdade social – não é à toa que ganhou Oscar, não somente de Melhor Diretor como de Melhor Filme (o primeiro em língua não inglesa a ganhar na categoria).

Ok, já vimos que um post sobre Parasita vem por ai qualquer dia desses!

Além dessa direção incrível, o filme ainda conta com nomes de peso como: Chris Evans como Curtis, nosso personagem central que representa a classe mais baixa existente no trem, Tilda Swinton (espetáculo de artista) como Mason, a ministra do trem. Octavia Spencer como Tanya, podemos chamar de braço direito de Curtis na expedição, e Ed Harris como Wilford, dono e fundador do trem. Muitos outros artistas incríveis fazem parte do elenco também. 

Poster do filme (fonte da imagem: meta galaxia)

Em 2020, a Netflix resolveu fazer uma colaboração para a exibição e produção de uma série sobre o Snowpiercer e toda a sua luta e história. Claro que algumas coisas estão diferentes – afinal, é um novo jeito de contar a mesma síntese.

Pela visão do diretor Josh Friedman, a série, que já tem disponível sua primeira temporada com dez episódios e já confirmou uma segunda temporada! – conta com alguns personagens que se apresentam para o público de maneira diferente aos do filme – e, também, mais alguns detalhes que foram incluídos para manter tantos episódios para a série, mas isso não faz perder a magia que o filme nos traz.

No elenco contamos com atores de muita excelência como: Jennifer Connelly, no papel de Melanie Cavill, a comandante do trem; Daveed Diggs no papel de André Layton, que corresponde ao mesmo papel do Chris Evans no filme, como protagonista principal da revolução dos menos afortunados; Katie McGuinness como Josie Wellstead, uma das pessoas de maior confiança de Layton junto aos ocupantes dos vagões mais deixados de lado pelo resto do trem; Entre muitos outros, os quais dão vida a personagens que vão nos fazer sofrer de amor, empatia e, em muitas ocasiões, raiva. 

Poster da série da Netflix (fonte da imagem: pinterest)

Eu, Hekate, como pessoa que já assisti os dois conteúdos (pelo menos a série até o final de sua primeira temporada), recomendo que assistam aos dois. Talvez em alguns momentos você se sinta como se estivesse assistido a duas histórias diferentes, ou perceba algumas drásticas diferenças, mas, no final de tudo, ainda vai perceber e conseguir assimilar que se trata da mesma coisa.

A premissa geral é uma só: buscar igualdade social ou pelo menos um tratamento mais humano para todos os passageiros.

E essa que é a graça do enredo, ao meu ver: não importa muito quais os meios – nesse caso, sobre o desenrolar da trama – quando o início e o final são pelo mesmo objetivo e conquista.

Como acho que está virando moda entre meus posts, a dica de hoje é: assistam tanto ao filme quanto a série e sintam o impacto comigo.

A Qual Vagão Você Pertence?

A sinopse do Perfuraneve, que foi a inspiração para ambas produções, é:

“O inverno chegou e pode durar para sempre! Após uma hecatombe nuclear que alterou o clima da Terra e a afundou em uma eterna Era do Gelo, a humanidade não tinha chance nenhuma de sobreviver. Exceto por um pequeno grupo que encontrou refúgio em um trem de tecnologia revolucionária, o Perfuraneve. A locomotiva representa a salvação da humanidade e confina, em seus mil e um vagões, toda a esperança de vida no planeta.

A convivência se torna o grande desafio para os últimos representantes da espécie, que rapidamente se adaptam e organizam a vida no novo habitat. Nesse momento, os velhos mecanismos que levaram o planeta à destruição voltam à ativa, incluindo a divisão de classes: os passageiros são divididos em “castas”, cada uma em um vagão, ficando os pobres no fundo e os ricos na frente. O trem também é cenário de racismo, religião e alienação.” 

Representando a “salvação da humanidade”, o Snowpiercer ou o Perfuraneve (como preferirem) nada mais é que a forma figurativa da sociedade atual; Onde os ricos e influentes estão a frente de toda a sociedade, muitas vezes usando de sua influência para garantir uma qualidade de vida superior a qualquer outro ser humano de outras classes.

A divisão do trem consiste em: 

Primeira classe: sendo dos passageiros que pagaram um valor exorbitante por suas cabines – que mais se parecem com apartamentos de luxo do que moradias comuns como as dos outros ocupantes; salvo é claro das categorias mais baixas – e que majoritariamente tomam as decisões quando as coisas precisam de “votação” ou alguma intervenção quanto a qualquer decisão a ser tomada pelos comandantes e até mesmo quem tem contato “direto” com o dono e fundador do trem.

Segunda classe: que tem um pouco menos de influência que os passageiros da primeira classe, mas desfrutam de privilégios e condições melhores que as outras classes, como empregos mais refinados – maquinistas, comissários, massagistas, chef de cozinha, etc… – e grandes e confortáveis moradias.

A terceira classe: onde os trabalhadores braçais e de menor referência vivem; para alimentar, manter as áreas limpas e entreter os passageiros da primeira e alguns da segunda classe, morando em locais minúsculos e com o menor saneamento possível.

E o fundo: o local dos “refugiados” aquelas pessoas que não tiveram condições de comprar nenhum lugar no trem, mas entraram para tentar algum tipo de sobrevivência e moram no final do trem, junto das caldeiras, tratados como se não fossem absolutamente nada.

No filme de Joon Ho a revolução começa quando um acidente natural faz com que o trem seja dividido em dois. Com as classes mais ricas e influentes na parte da frente, mesmo com os problemas do acidente não querem abrir mão de seus luxos e da boa vida que levaram durante todos aqueles anos em que o trem funcionou em seu estado perfeito.

Trailer do filme

E as classes “inferiores”, quando se juntam, usam do fato de estarem em maior número para tomar força e buscar alguma dignidade e condições de vida iguais ou pelo menos similares a todas as classes (os mesmos sonhos que vivemos hoje).

Na série a coisa acontece de uma forma um pouco diferente. Assassinatos começam a acontecer e as vítimas são, em sua maioria, da terceira classe. As notícias começam a assustar os passageiros de todas as classes e a pedido do senhor Wilford, um fundista (como são chamadas as pessoas que vivem nos vagões do fundo), que era um policial investigativo antes do mundo congelar, é recrutado para desvendar esse mistério.

Trailer da série

Enquanto está nas partes mais nobres da locomotiva, ele descobre não somente quem cometeu os assassinatos, bem como outros segredos de quem comanda tudo aquilo – e é aí que ele resolve criar laços entre a terceira classe e o fundo para que se acabem as mentiras e a enorme diferença social entre todos.

Um sonho real de união das minorias, que juntas se tornam a maioria – mas bem como na vida real – uma guerra é instaurada e vidas perdidas injustamente, só porque o ser humano tende a ser egoísta e soberbo para com o próximo.

Eu enxerguei muito da sociedade em que vivemos em toda essa experiência pelos mil e um vagões congelantes do Snowpiercer, e não é algo que me choque. Talvez o fato do texto original ser dos anos 80, só me deixa ainda mais triste com a atual situação enquanto sociedade do mundo todo, porque cai a nossa ficha de que anos – ok, não tantos anos, mas muitos aos quais mudanças significativas poderiam acontecer – se passaram e aqui estamos, em uma situação extremamente similar, vivendo em nosso Snowpiercer social e elitista.

Onde Embarcar Nesse Trem?

Esqueci de falar que o cenário, mesmo sendo uma distopia pós apocalíptica, é de tirar o fôlego. Todo o cenário, figurino e caracterização (principalmente no filme) são impecáveis. E o elenco – eu poderia ficar HORAS enaltecendo os dois elencos.

Segue então, os links de onde assistir essas duas obras maravilhosas (atualizado em Novembro 2020):

Filme: Snowpiercer – Prime Video

Série: Snowpiercer – Netflix

Oi, eu sou a Gabriela, mais conhecida por aqui como Hekate. Nascida e criada em São Paulo, duplamente escorpiana, apaixonada por tudo ligado à cultura pop e, às vezes, não tão pop assim. Comédias românticas, livros do Sidney Sheldon, playlists e músicos undergrounds, kpop e o Corinthians são minhas maiores paixões. Aspirante a chef de cozinha e escritora, amante de chás e de abraços.