Pipoca Lunar

Pipoca Lunar: V de Vingança – Quem é Você Por Baixo da Máscara?

“Lembrai, lembrai do cinco de novembro

A pólvora, a traição, o ardil

Por isso não vejo como esquecer

Uma traição de pólvora tão vil…”

Meus queridos passageiros, nossa viagem de hoje é rumo a um clássico no qual a política é tratada de forma bem extrema: pelo título vocês já sabem, mas será que realmente já perceberam as semelhanças dele com nossos dias atuais? 

Eu, Sel, estou com partida hoje ao mundo de V e espero que vocês me acompanhem. 

Prontos?

“O povo não deve temer seu Estado. O Estado deve temer seu povo.– Frase do personagem V (fonte da imagem: avoyager)

V de Vingança sempre foi uma história nada longe da realidade – talvez naquela época fosse algo que não imaginaríamos estar vivendo, mas com certeza hoje não podemos dizer o mesmo, já que não apenas passamos por governos que prejudicaram sua população, como também por uma doença que deixou a todos presos em suas casas, desempregados e, principalmente, muitos mortos. 

Todos estamos a par da situação que vivemos e principalmente como o filme que falaremos hoje tem similaridades com nossa situação atual.

Sobre o Filme – V de Vingança

V de Vingança (V for Vendetta) é um filme de 2005, inspirado numa série de quadrinhos com o mesmo nome, criada por Alan Moore e David Lloyd.

A história se passa no final da década de 2020sim, exatamente no ano em que estamos, e esse nem sequer é o fato mais chocante sobre a previsão. Lá o mundo está em crise e em guerra – o que dependendo do ponto de vista podemos tirar conclusões de passarmos o mesmo; os Estados Unidos não são mais uma superpotência como consequência de uma guerra civil e, o mais louco e importante: uma pandemia mortal do “vírus de Santa Maria”  que assola o continente europeu acontece (parece que coronavírus mudou de nome para aparecer nas telonas anos atrás).

No filme o Reino Unido permanece como um dos poucos países estáveis sob o regime fascista e totalitário do partido Fogo Nórdico (Norsefire), comandado pelo Alto Chanceler Adam Sutler.

fonte da imagem: legião dos heróis

Opositores políticos, homossexuais e outros “indesejáveis” ​​são presos e enviados para campos de concentração – que é algo muito importante a ser comentado, já que, mais para frente, é algo que a trama nos apresenta.

Mas, seguindo, como principal temos Evey Hammond – interpretada por Natalie Portman – uma mulher que trabalha na rede estatal da televisão britânica. O filme dá início com ela e uma tentativa de estupro por membros da polícia secreta, que são conhecidos como “Os Homens-Dedo“. Evey é resgatada por um “vigilante” com uma máscara de Guy Fawkes e que é conhecido como “V“.

fonte da imagem: cultura genial

“Voilà! À vista, um humilde veterano vaudevilliano, apresentado vicariamente como ambos vítima e vilão pelas vicissitudes do Destino. Esta visagem, não mero verniz da vaidade, é ela vestígio da vox populi, agora vacante, vanescida, enquanto a voz vital da verossimilhança agora venera aquilo que uma vez vilificaram. Entretanto, esta valorosa visitação de uma antiga vexação, permanece vivificada, e há votado por vaporizar estes venais e virulentos verminados vanguardeiros vícios e favorecer a violentamente viciosa e voraciosa violação da volição

O único veredito é a vingança, uma vendeta, mantida votiva, não em vão, pelo valor e veracidade dos quais um dia deverão vindicar os vigilantes e os virtuosos. Verdadeiramente, esta vichyssoise de verbosidade vira mais verbose vis-a-vis uma introdução, então é minha boa honra conhecê-la e você pode me chamar de V.

– Monólogo de V ao conhecer Evey.

Ele oferece a ela a chance de ver um show de explosões em primeira mão, levando-a a um telhado para assistir a destruição do edifício Old Bailey, em Londres, que ele mesmo causou. 

O Fogo Nórdico rapidamente explica o incidente como uma “demolição de emergência” de um edifício estruturalmente instável – ou seja, mostrando mais uma vez como a política manipula os verdadeiros fatos. Coisa que não é diferente hoje em dia, como por exemplo: presidentes impedindo a divulgação dos números de mortes nessa pandemia que estamos passando. 

Porém, no caso de  V, ele logo intercede por seu ato: interrompendo as transmissões da televisão para assumir a responsabilidade, além de incentivar o povo britânico a se levantar contra seu governo – que os prejudica mais do que os ajuda – e a encontrá-lo dali um ano, no dia 5 de novembro, em frente às Casas do Parlamento; edifício que ele promete destruir nessa data. 

Evey ajuda V a escapar da sede da emissora de TV, mas é nocauteada nesse meio tempo, sendo levada à casa de V – a famosa galeria das sombras, onde possuí itens raros roubados do governo.

fonte da imagem: despertar coletivo

V tem uma personalidade forte e autoritária ao meu ver – sua veia de liderança o faz ser assim, querendo ou não. Com isso, V diz que Evey deve ficar escondida até o dia 5 de novembro – a Noite de Guy Fawkes – do ano seguinte; mas depois de saber que V está assassinando funcionários do governo, ela foge para a casa de seu chefe, pois fica com medo.

O chefe da mulher, o comediante e apresentador de talk show Gordon Deitrich, em retorno por Evey ter confiado sua segurança a ele, revela uma coleção de materiais proibidos pelo governo – como já sabemos, coisas que levassem caminhos contra o governo totalitário; sendo essas: pinturas subversivas, um alcorão antigo e fotografias homoeróticas de Robert Mapplethorpe, que eram extremamente proibidas, já que, para eles, incitaria um tipo de comportamento não permitido.

Deitrich, que é homossexual, explica que tem de esconder sua verdadeira sexualidade para manter a sua carreira na televisão – sei que estamos em 2020, mas quero aproveitar a deixa para falar sobre como isso é presente hoje em dia e não apenas com a escolha que as pessoas tomam, mas também com o gênero que elas nascem

Com o filme começando com Evey quase sendo estuprada por homens-dedo, um governo que incita melhoria e mudança com certeza não colocaria pessoas assim em cargos como os deles – afinal, a personalidade da pessoa a denunciaria em algum momento fazendo com que fosse visto como risco ao bem estar dos cidadãos.

Nesse caso, nota-se como o abuso de autoridade era grande, pois, assim que ela os reconhece, fica com medo do que poderia acontecer. Nada surpreendentemente diferente dos dias de hoje; NADA diferente da sociedade em que vivemos.

E, mais uma deixa para colocarmos em questão exemplos como o caso Mariana Ferrer, vocês não acham? No qual podemos ver a justiça não sendo cumprida, em que o abuso de autoridade foi usado para humilhar a jovem e, claro, não podemos deixar de fora como pessoas com poder e dinheiro usam isso para obter autoridade

Evey não trazia roupa curta ou nada do que algumas pessoas dizem “incentivar” o ato – nesse caso, qual seria o futuro de Evey se V não tivesse aparecido? 

O abuso de autoridade venceria e, mais uma vez, a justiça nunca seria feita – similar não? Só nos mostra que, definitivamente, não estamos longe de uma realidade que anos atrás era vista como algo chocante. 

O governo e a sociedade que foi criada – com princípios duvidosos –  me fizeram refletir muito sobre como o abuso de poder é enxergado hoje em dia como algo normal e que precisa de muito para que as pessoas vejam que, na realidade, NÃO É ALGO COMUM – ou, ao menos, não deveria ser.

fonte da imagem: warnerbros

Refletimos sobre V nessa situação toda. O homem apenas se tornou quem se tornou, porque passou o que passou. Tudo foi uma mudança feita a partir do momento que ele foi levado a um dos locais em que o governo fazia o que quisesse com pessoas que não se encaixasse em seus padrões.

Torturas, repressão, experimentos etc.

O que aconteceu, também, depois que Gordon faz uma sátira do governo em seu programa de televisão. A sua casa é invadida por agentes do governo e Evey é capturada enquanto tentava escapar. A mulher também tem a personalidade forte e única: seus pais eram ativistas que foram mortos e seu irmão também havia morrido.

A mulher passou por muitas situações complicadas, então sabia lidar com situações piores – sabia que a causa de V era maior e por isso que depois de ser presa e torturada por dias, com o objetivo de obter informações sobre o paradeiro de V, ela não cedeu. Fez, então, de seu único alívio, notas escritas por outra prisioneira em um pedaço de papel higiênico que ela encontrou em sua cela: uma atriz chamada Valerie Page, que foi presa por ser homossexual.

fonte da imagem: uol

Embora Evey literalmente tenha ranço inicialmente de V – porque, a certo ponto, ela descobre que a prisão dela é culpa dele – a mulher percebe que é uma pessoa mais forte do que era antes da prisão. Isso a faz com que prometa a V de voltar antes do dia 5 de novembro para estar presente em seu grande momento.

Em geral, tudo é parte de uma grande manipulação: o vírus implantado foi parte do plano do atual governo para que pudesse obter apoio da comunidadejá que, se sabem de onde vem a doença, sabem a cura, certo? O governo promove suas coisas com intuito de melhora e progresso para algo maior e melhor, mas ele pode mesmo te garantir isso? 

Bom, alguns exemplos claros estão por aí para nos mostrar que a partir do momento em que o governo toma conta, tudo muda. 

Depende dele quer cumprir suas promessas ou não. 

Depende dele manter o bem estar de seu povo ou não.

fonte da imagem: ocregister

Em minha memória, uma das coisas mais marcantes do filme, além do protagonista nunca revelar seu rosto e usar a identidade de V como ele mesmo, é sobre o final

V distribui às pessoas vestimentas iguais a dele – porque, afinal, aqueles que participarem são ele e fazem parte dele, porque trazem objetivos iguais; que é lutar contra um sistema que aprisiona as pessoas – não apenas fisicamente, mas mentalmente.

Então, seu plano todo é colocado em ação, deixando nas mãos de Evey a escolha final, sabendo que não poderia tomar a decisão de alguma forma.

E, acompanhado pela Abertura 1812, de Tchaikovsky, o Parlamento e o Big Ben explodem e são destruídos enquanto Evey e Finch (responsável pelo caso) olham. Finch, curioso como todos nós, pergunta a Evey qual era a identidade de V – que responde a frase mais marcante do filme para mim.

“Ele era Edmond Dantès. Era meu pai, minha mãe, meu irmão, meu amigo. Ele era eu, era você, era todos nós.”

Mostrando que V tinha sido alguém que obteve sucesso em sua causa – mesmo que de forma extrema – mas que todos nós poderíamos fazer algo; pois existe um V em cada um de nós.

fonte da imagem: warner bros

Referências

fonte da imagem: uol
  • V for Vendetta usa a Conspiração da Pólvora como inspiração histórica para V, o que contribui para a sua linguagem e aparência.

Por exemplo, os nomes Rookwood, Percy e Keyes são usados ​​no filme, que também são os nomes dos três conspiradores da pólvora (Ambrose Rookwood, Thomas Percy e Robert Keyes)

  • O filme cria paralelos com a obra O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas, ao estabelecer comparações diretas entre V e Edmond Dantès. (Em ambas as histórias, o herói foge de uma prisão injusta e traumática e passa décadas se preparando para fazer vingança contra os seus opressores sob uma nova persona)
  • O filme também é explícito ao retratar V como a personificação da uma ideia ou ideal, ao invés de um indivíduo, e faz isso através dos diálogos de V e ao retratá-lo como alguém sem passado, identidade ou rosto; 
  • “o uso da máscara e da persona de Guy Fawkes por V funciona como um elemento prático e simbólico da história. Ele usa a máscara para esconder suas cicatrizes físicas e para ocultar sua identidade — ele se torna a ideia em si.”
  • Como observado, a história e o estilo do filme têm elementos semelhantes ao da obra O Fantasma da Ópera, de Gaston Leroux. Tanto V quanto o Fantasma usam máscaras para esconder suas deformações, controlam os outros através da estimulação de suas imaginações, têm um passado trágico e são motivados pela vingança. A relação de V com Evey também se assemelha a muitos dos elementos românticos de O Fantasma da Ópera, na qual o Fantasma mascarado leva Christine Daaé para seu covil subterrâneo a fim de reeducá-la;

Como um filme sobre a luta entre a liberdade e a opressão do Estado, V for Vendetta leva ao imaginário muitos ícones totalitários clássicos, reais e da ficção, como:

  • Terceiro Reich e o livro Mil Novecentos e Oitenta e Quatro, de George Orwell;
  • Grande Irmão;
  • Há também o uso do estado de vigilância das massas, como o uso de um circuito fechado de televisão para monitorar os seus cidadãos;
  • A personagem Valerie foi enviada para um centro de detenção por ser homossexual e depois sofre experiências médicas, em referência à perseguição de homossexuais e judeus pela Alemanha nazista; 
  • O nome de Adam Sutler é inspirado pelo nome de Adolf Hitler. O discurso histérico do Sutler também é inspirado no estilo de Hitler, embora seus alvos de perseguição agora incluem muçulmanos, em vez dos judeus que Hitler perseguia
  • Na história, o partido Fogo Nórdico substitui a Cruz de São Jorge pela Cruz de Lorena como um símbolo nacional. Este era um símbolo usado por forças francesas livres durante a Segunda Guerra Mundial, como se fosse um símbolo tradicional do patriotismo francês, que poderia ser usado como uma resposta à suástica nazista.
Trailer do filme

Todos podemos buscar por mudanças – não necessariamente da forma que V buscou –  de formas simples e que estejam a nosso alcance; alcance de escolha e realização.

Com isso finalizo o post te pedindo algo importante.

Temos eleições – pequenas, mas ainda assim, extremamente importantes – chegando. Para melhorarmos a grande sociedade primeiro temos que ajudar a nossa comunidade. Então vote com consciência: sendo vereador ou prefeito, vote pensando não apenas em você mas também no seu próximo.

A mesma coisa nas próximas eleições para Presidente: esteja ciente de suas escolhas.

Porque você tem direito de viver melhor,

Você tem direito de viver com qualidade,

Você tem direito.

Nós da Irmandade da Lua faremos o possível para fazer a diferença em nossa comunidade. E, principalmente, faremos o quanto estiver a nosso alcance, sempre buscando por um mundo melhor para nós e para quem vive e irá viver nele. 

E você? Nos conte como vê um mundo melhor ou como pode mudá-lo da sua maneira: deixe um comentário nos contando qual seria um mundo melhor para você.

“A anarquia ostenta duas faces. A de Destruidores e a de Criadores. Os Destruidores derrubam impérios, e com os destroços, os Criadores erguem Mundos Melhores.”

– V de Vingança

It’s Lay time!!! Eu sou a Laysa, mais conhecida neste espaço como Selene. Nascida no interior de São Paulo e criada em diversos lugares. Aquariana – sim, lidem com isso! – amante de tudo ligado à cultura geral, história, idiomas, livros, playlists aleatórias, escrever e fotografias. E devo deixar claro que o cinema é a minha paixão.